Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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sexta-feira, novembro 07, 2014

Classificação política e falta de objetividade


Sobre esquerdas e direitas – O Diagrama Scar http://t.co/UeHz8Yonok


A questão de que a chamada direita atual ter sido a esquerda do passado, séculos atrás está correta, assim como a caracterização da evolução subsequente. Neste sentido, o artigo é rico e bastante informativo. Como relatado, lá pelos idos do séc. XIX, ainda existia quem defendia a monarquia contra a democracia. Estes eram os direitistas de então, mas... Veja que ele não cita esta palavra, Democracia, sua análise está totalmente centrada no Capitalismo e esta é uma falha. 

Os anarco-capitalistas -- ancaps --, autoproclamados 'libertários' que estariam na extrema direita para ele seriam a favor da liberdade total, totalmente pelas vias do mercado livre, mas atente que sendo assim, discordam da democracia como meio de regulação. E os comunistas na extrema esquerda também não ligariam para ela, a democracia. Deste ponto de vista, quando o poder individual ou, na oposição, o coletivo descartam a negociação e equilíbrio de aceitar pontos divergentes para manutenção da ordem, de meu ponto de vista, não estão separados, mas próximos. Então, eu trocaria o Diagrama Scar, que ele propõe por outro, uma ferradura. Que aliás, não é ideia minha... Conferir aqui a Teoria da Ferradura (Horseshoe Theory). Os extremos, anarco-capitalistas e comunistas descartam a negociação e se tornam autoritários, um para o indivíduo e outro para o coletivo. Adicionaria aí também o detalhe que a extrema esquerda também sempre foi lembrada pelo movimento anarquista que, antes dos ancaps era tido como essencialmente de esquerda. Estes rótulos enfim, cansam porque estão sujeitos a interpretações diversas -- quem os define, define como lhe convém e fica nítido que o autor, Scar, tem uma queda pelo liberalismo. Nada condenável, aliás, pois também tenho, mas se tem que assumir este dado e não tratá-lo como se fosse objetivo e imune a nossa subjetividade na escolha. Por exemplo, já ouvi um liberal dizer que a social-democracia (se referindo aos nórdicos europeus) "não dá certo"... Patético, tanto "não dá certo" que existe há décadas. E outro erro é tomar o que eles definem como "socialismo" como algo socialista na teoria de Marx. É bem diferente. A propósito, a Nova Zelândia, um país que prima pelas excelentes avaliações em rankings de liberdade econômica foi colonizada por imigrantes trabalhistas e socialistas. Quem diria...

Então mais cuidado e cuidado especialmente ao definirmos o que é algo a partir de um simples nome, pois este pode não significar aquilo que uma velha teoria queira nos dizer. E sim, não sou isento, eu critico o teor do artigo porque discordo que possamos construir uma ordem duradoura sem democracia e senti a ausência do termo no mesmo. 

Mesmo que se diga que a democracia não define um sistema econômico por inteiro (o que é verdade), também é verdade que enfatizar a dicotomia Capitalismo v. Socialismo é por demais pobre... Eu prefiro discutir "Sistema Social" e aí não entra somente o modo como a propriedade é regulada, mas também a cultura e sua organização jurídica. Importante porque há países, regiões, estados (em fortes federações) ou até cidades e condados nos quais se pode ter razoável ou forte liberdade econômica sem paridade na liberdade política (Singapura, p.ex.), embora o contrário seja difícil. 

Enfim, eu endosso o liberalismo e me defino como liberal, mas sem os arroubos e delírios anarco-capitalistas ou anarquistas, cujo ódio e preconceito contra tudo que enseja a palavra estado não conseguiram construir nada melhor do que sociedades clânicas (como a Somália) e chegam ao absurdo de dizer que na monarquia se tinha maior justiça econômica que na democracia. Claro que sim, para o senhor feudal...

Dizem que o espaço é curvo. Talvez o espectro ideológico político também não fuja disto e necessitemos de uma revolução epistemológica na ciência social...


Foro fora de foco - 2


Analogamente, as pessoas também costumam acreditar em qualquer bobagem conspiratória quando se envolve entidades mundiais dotadas de supostos poderes ocultos. Quanto mais fabulosa a teoria, mais verossímil parece seu poder e eficácia. O mundo, realmente, é composto por uma maioria manipulável porque ela simplesmente adora o sobrenatural.

O Foro de S. Paulo existe? As suas atas estão aí para provar, mas não se trata disto. Trata-se, isto sim, se ele teria a efetividade alegada. E não a tem.

E vejam se entendem o que é escrito... Isto não significa que atos e decisões políticas em direção ao totalitarismo não sejam, ou não tenham sido tomadas no Brasil. Marco Civil da Internet, a tentativa de um Estatuto da Imprensa, a tentativa de nivelar "Conselhos Populares" em detrimento da Democracia Representativa (a única democracia) etc. são provas de que SIM, sim, estamos em um caminho ameaçador e aterrorizante, MAS -- LEIAM E ENTENDAM A DIFERENÇA --, isto difere totalmente da presunção de que tenham sido criados, dirigidos e/ou fomentados a partir do exterior, fosse por uma URSS ou pelo atual Foro. Isto é superestimá-lo e criar um espantalho. Na medida -- LEIAM -- que não avaliamos corretamente suas causas, daí sim, daí sim é que nos tornamos reféns do fenômeno porque não sabemos contra o que, nem quando e nem como lutarmos direito. É um processo muito descentralizado -- ao contrário de que uma organização o dirija -- e, por isto mesmo, se torna mais difícil, mas nem por isto impossível de combater. Nos anos 50, a Conferência de Bandung na Indonésia foi um "foro em escala mundial" e deu com os burros n'água. Agora, qual é o fator de sucesso da atual esquerda mundial? Ela não obedece um guru ou cúpula, mas ideias dispersas que se conectam. Ou seja, quando derrotamos um grupo, outro surge como cogumelo em seu lugar, por isto se trata sim de uma guerra cultural na qual temos que destronar suas ideias. Mas como fazer quando nossa direita (oh! direita não!) está dividida em frescurites?! Assim sendo, vocês merecem ser dominados porque são fracos e desarticulados. Minha avaliação senhores, não é moral, mas estratégica e funcional. Ou vocês tomam prumo ou podem tomar.... Ki-Suco para refrescar a cabeça.



quarta-feira, novembro 05, 2014

Educação Brasileira - 01


Segundo dados obtidos em 2012. Dá para ver que algumas informações são controversas, como o alto índice de aprovação, de mais de 77%. Ora, como são feitas estas aprovações, com a malfadada Progressão Continuada, mais conhecida como "aprovação automática"?

Clique para ampliar. Fonte do infográfico: Os principais problemas nas cidades (UOL/Eleições)

terça-feira, novembro 04, 2014

Sobre Janer Cristaldo


Adeus, amigo[i]

Eu conheci o Janer num jantar na casa de um dos colegas articulistas do MSM. Depois intensificamos a troca de mensagens através das antigas comunidades do Orkut, quando me divertia com as provocações que ele destinava a turma de fanáticos religiosos. Não só estes, mas preferencialmente estes. Mais tarde passei a frequentar bares e restaurantes com o Janer, com conversas muito agradáveis. Às vezes saia algo dali para a tela do computador. E eu sabia muito pouco da vida do Janer, exceto pelo que ele escrevia ou comentava conosco por alto. Então eu era um amigo que lhe encontrava episodicamente e ultimamente sempre que ia a S.Paulo após me mudar para Florianópolis. Desnecessário dizer quanto prazer obtive lendo teu pai e o quanto aprendi. Como também já se tornou comum dizer, não concordávamos sobre tudo, mas o que discordávamos (e no meu caso era mais a música ou como encará-la), não havia diferenças substanciais, menos sobre objetos do que por condutas. O Janer fugia de sectários, como até garotos de visão liberal bastante lúcida, mas amarrada demais que tentaram aliciá-lo ideologicamente. Enfim, eu já sabia e tinha visitado duas vezes nos últimos meses, de seu estado de saúde. Eu costumo apostar na permanência e justifico que poderia viver bastante ainda em estado crítico se pudesse ler e escrever. E justamente por causa disto, conhecendo teu pai, imagino só o tormento que deve ter sido estes últimos dias para um homem que vivia isso. Que vivia a liberdade de expressão e a comunicação escrita. O amor que ele nutria por sua ex, pela festa e alegria com seus amigos, pelas viagens, pelas lembranças, pelo aprendizado e vivência nos colégios de padres, por mais paradoxal que fosse, pelos pagos de Martín Fierro, pela literatura que ora desdenhava, pela precisão de quem se baseou no direito e leis, pela força e vigor teórico proporcionado pela filosofia, pelo profundo conhecimento de história e humildade em achar que não era especialista, em sua paixão por conhecer e aprender outras culturas, pelo pago da fronteira, por Estocolmo, Paris e, sobretudo, Madri. Uma pena que não conheceu a Austrália, que indico fortemente, mas pelo menos foi para a Irlanda, que recomendei. Embora talvez nem lembre de que eu tenha sugerido. Enfim, como disse um amigo em comum:

"Certamente, é o tipo de pessoa que há quem goste e uma minoria que não goste dele, mas não há quem o despreze. É a mais nobre avaliação que se pode fazer de uma pessoa."

E eu não poderia deixar de dizer a ti como ele te amava. Parecia um pai bobão (como eu sou um) que se gaba de cada detalhe do filho(a), do tropeço, da caminhada, do emprego, do sucesso, de que aprendeu etc.

Enfim, vou me lembrar muito dele como certa vez comentando sobre fanáticos irados nos ameaçando no Orkut, eu disse "vocês se estressam a toa com o Janer, ele está lá na frente do computador levantando uma taça de vinho enquanto que dá um sorrisinho de satisfação", ao que ele me respondeu "ah Anselmo! Como tu me conhece tanto assim?" Pois é, não tanto, mas o suficiente para saber o que te move e apaixona.

Adeus amigo e um abraço, Isadora Pamplona. Levante a cabeça, te erga que a vida deste cara foi uma que valeu a pena.

Anselmo Heidrich





[i] Mensagem enviada a sua filha no dia 29, cerca de dois dias após sua morte.