Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

Compre o livro NÃO CULPE O CAPITALISMO nos links abaixo:




sábado, maio 30, 2015

Uma defesa de Jair Messias Bolsonaro


Sobre o Deputado Jair M. Bolsonaro...

Das críticas comuns a ele, que ele defende a ditadura: sinceramente, não sei disto, mas sei que ele se opõe à vitimização que as esquerdas (reprimidas no período da ditadura) fazem. Sou contrário à tortura, mas não à punição dura com prisão perpétua se tivéssemos tal possibilidade. Muitas das vítimas eram terroristas que assaltavam bancos, faziam reféns e matavam agentes policiais e militares para fazer a sua revolução.


Frases horríveis foram proferidas por ele... Que seriam aproximadamente assim:


- "quem gosta de ossada é cachorro" referindo-se à busca de restos mortais das vítimas da repressão;


- "FHC tinha que ter sido fuzilado" referindo às privatizações;


- "Você não merece ser estuprada" referindo-se à Maria do Rosário.


Em primeiro lugar tem que se respeitar aqueles que prezam a memória de seus parentes e amigos mortos, gostemos ou não deles; no segundo caso, não desejo o fuzilamento para líderes políticos dos quais eu discordo (mesmo o Lula) e também porque sou muito favorável às privatizações (o próprio Bolsonaro já reviu esta opinião tosca e agora posa como liberal, i.e., privatista); e no terceiro caso, embora a frase seja infeliz, porque ele tem pavio curto ocorreu após nítida provocação da ex-Secretária de Direitos Humanos do PT, Maria do Rosário. Ela o ameaçou de lhe dar um tapa na cara (isto se encontra para ver fartamente no youtube).


Apesar disto, tudo defendo ele por ser um dos poucos que tem coragem de se opor a toda esta máfia institucionalizada e a tendência de fazer com que minorias (gays) terem privilégios, assim como menores infratores. Aliás, é dele a proposta original de rebaixar a maioridade penal, da qual eu sou totalmente a favor.


Uma observação, nada tenho contra gays. A homossexualidade é absolutamente natural, mas a heterossexualidade também o é. Então, ao invés de políticas públicas específicas para diferentes sexualidades e até privilégios para algumas, o caminho mais simples é que deveria ser seguido, a de leis simples e comuns a todos. E nada mais.

Vitimologia do semanário Carta Capital II


Aquele video na passaeata em q pararam em frente à casa de professores q expuseram faixas de greve e os chamavram de FDP, mandaram tomar no .. e acabaram com um "vagabundos", alegando q gente q trabalha só protesta aos domingos...o outro q mostra um rapaz de camisa vermelha sendo ameaçado, os vários depoimentos dando conta de q nordestino é ignorante, etc...é tudo vitimismo?

Eu desabono esta atitude, claro, mas discordo de que toda greve seja sensata, economicamente falando. O DF, sob influência direta da presidência da república concedeu aumentos requeridos pelos sindicatos, como a CUT, que é um braço do PT e deu no que deu... O orçamento do Distrito Federal está quebrado, sobra apenas cerca de 3% para investimentos. Não se pode, esta é a conclusão, desconsiderar uma das maiores realizações de nosso legislativo que foi a Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isto entoo o cântico dos manifestantes "ah! que bom seria, se o PT entendesse de economia..."
Outra coisa que me chama muito atenção é que nunca vejo os sindicatos de professores discutindo projetos, currículos e o principal problema atual, a indisciplina. É como se não se existissem.
O professor ganha pouco? Sim, muito pouco. Isto ocorre basicamente porque há um excesso de oferta desta mão de obra de baixo nível educacional. Horrível ouvir isto? Sim, a verdade é horrível. Tempos atrás, nas gestões do FHC, quando os governos revelavam estatísticas desfavoráveis e não interferiam no IBGE ou no IPEA, li que 44% dos professores brasileiros sequer tinham o ensino médio. Obviamente que para empresários ou governos municipais pouco importa a qualidade se (a) há mão de obra para preencher as vagas se submetendo trabalhar por tão pouco e (b) a população (que é o cliente) não reclama da qualidade, mas sim se a escola não tem computadores ou se seus filhos são obrigados a usar uniformes. Nossa crise educacional é consequência da cultura geral do país, pais, professores e também governos.
Então tu viu um depoimento de um rapaz de camiseta vermelha que foi ameaçado? Tu sabe quantas fotos eu já vi de brucutus de sindicatos que agrediram "coxinhas"? Há uma famosa de um manifestante do MBL no RJ que foi agredido por três da CUT. Famosa este, sem nem falar em toda barbárie imposta pelo MST e congêneres Brasil afora. Um não justifica o outro, mas é óbvio que pela falta de repressão a estes grupos mais radicais, o país ruma a conflitos mais sérios. E isto vai ocorrer, infelizmente.
E acho sim que quem se manifesta durante os dias úteis, e ainda recebe 35 reais e pão com mortadela é porque não trabalha como alguém que precisa cumprir uma carga semanal completa. São manipulados pelos sindicatos. E qual partido está mais próximo destes? Tu saberia me apontar?
Em Brasília, no dia 27, dia da manifestação pelo impeachment havia paralisação parcial dos ônibus do DF para prejudicar o deslocamento em direção ao Congresso Nacional. Era ou não era um ato político de quem não necessita trabalhar como qualquer outro? E claro, como foi durante a semana, a maioria dos manifestantes não pode comparecer. Mas, no referido caso da campanha pró-impeachment dia 27 passado, como poderia ser diferente para se conseguir contactar a oposição? Fim de semana não há nenhum deles trabalhando e ninguém nos receberia.
Quem diz que "nordestino é tudo ignorante"? Quem votou no Aécio Neves? Quem foi às manifestações? Se disseram isto, não sei em qual contexto, nem quantos, só posso dizer que é porque votou na Dilma. E cá entre nós, não penso diferente sobre quem a elegeu. Aécio seria bom o suficiente? Não. Eu prefiro gente como Jair Messias Bolsonaro ou até o pastor Everaldo, mas se o melhor é inviável fico com o razoável.
Estamos entrando em um ciclo de recessão e será longo. Sofreremos consequências pesadas e isto tem tudo a ver com 12 anos de governo petista. Só desejo que Luís Inácio Lula da Silva não faleça, pois a morte é boa demais para ele. Ele não pode ser martirizado, pois isto sustentaria ainda mais o vitimismo que hoje assola o país. No entanto, isto daria mais pautas para um semanário que se auto-vitimiza para conseguir financiamento governamental.


sexta-feira, maio 29, 2015

Vitimologia do semanário Carta Capital


Sobre:
Leitor de CartaCapital é hostilizado por defensores do impeachment http://www.cartacapital.com.br/politica/leitor-de-cartacapital-e-hostilizado-por-defensores-do-impeachment-8794.html via @cartacapital

Caro Redator, a Carta Capital faz jornalismo, é o que se supõe. Mas, mesmo tendo sua opinião definida, ela não pode fugir aos FATOS. E o fato é que o cidadão supostamente assediado se incomodou com o teor da letra das marchas e não com o som em si. Se fosse pela segunda hipótese, ele teria sua razão. Analogamente, eu posso me irritar se meu vizinho está ouvindo funk nas alturas, mas não tenho nenhuma razão em demandar que pare de ouvir seu funk em volume permitido ou com o tipo de poesia que acompanha aquela cacofonia (com perdões à memória de James Brown, mas chamam isto de 'funk'...). Vocês da redação desta revista estão, cronicamente, posando de vítimas. O referido querelante se levantou e criticou os passageiros anti-petistas porque estavam entoando seus hinos. Que se criticasse o volume ou impropriedade, inadequação, importuno que fosse da algazarra, mas não pelo conteúdo da mensagem expressa. A partir daí não existe um direito, não há direito em censurar a liberdade de expressão alheia. Agora, se em algum momento alguém, individualmente, criticou a leitura da Carta Capital, este alguém é que tem que ser criticado e, não a turba, mesmo porque não se ouve tal manifestação em uníssono (ao contrários das músicas). Até aqui temos dois erros praticados por vocês:
1. Ignoraram a sequência de eventos, a cronologia, quem fez o que antes;2. Deturparam o fator causal, que não foi a leitura da revista.
  
Vocês dão a entender a opinião do grupo teria levado à esta discussão. Isto é um sofisma análogo ao eu ter sérias críticas ao fundamentalista religioso X e endossar o extermínio de todos que se devotam a tal religião. Eu posso discordar do conteúdo da sua revista, e com isto me integrar ao referido grupo da aeronave, mas nem por isto demando que se queimem todas as edições ou se chacine seus redatores da Carta Capital... Aliás! Quem costuma endossar este tipo de procedimento em outras paragens são grupos que muitos de vocês já dedicaram textos bastante condescendentes ou até mesmo de apoio. Conferir a este respeito: http://www.cartacapital.com.br/internacional/por-que-as-pessoas-escolhem-o-terrorismo-2653.html.

Vocês acusam o grupo de censurar e é exatamente o contrário que se passou, o passageiro incomodado com a festa bradou contra a mensagem adversa a suas crenças políticas e ideológicas. Quanto a ele, não o conheço, não posso criticá-lo enquanto pessoa, apenas sugerir que no Pyongyang Aeroporto Internacional de Sunan não sofreria nenhuma crítica pelo apreço demonstrado a tal "ilibada" revista.

Atenciosamente,
Anselmo Heidrich


Criacionismo, Estado e Liberdade


Sobre:
Deus criou a Terra? Na Escócia agora é proibido ensinar isso - Yahoo Notícias https://br.noticias.yahoo.com/deus-criou-a-terra--na-esc%C3%B3cia-agora-%C3%A9-proibido-ensinar-isso-175742341.html via @YahooBR

Se existe estado (e existe), uma educação pública tem que ser discutida. E não pode haver imposição de uma visão teísta, se este mesmo estado é laico. Pode-se, no entanto...
(a) rejeitar a existência do estado propondo a sua derrocada e, consequentemente, uma "anarquia pedagógica";
(b) propor a manutenção do estado, mas com independência educacional;
(c) sustentar o atual modelo, intermediário, "híbrido", com uma educação pública e outra privada, mas ambas se submetendo à diretrizes impostas pelo estado;
(d) propor um modelo totalitário na educação, com toda a atividade controlada pelo estado, na administração e "produção do conhecimento".

Eu fico com a 'b', que tem como diferença básica em relação a 'a' que o estado seja obrigado a garantir acesso àqueles que não teriam condições mínimas de arcar com o custo da escola, seja construindo-as e administrando, seja distribuindo vouchers etc. 

E quanto ao conteúdo do ensino? Qual tipo de doutrinação é melhor, uma vez que todas doutrinam? Eu prefiro a científica, mas com liberdade para o ensino religioso, caso os pais se sintam a vontade de impor isto aos filhos porque, deixemos a hipocrisia de lado, colocar filhos na escola, geralmente é imposição mesmo.

Haveria exceções? Sim, aquelas que atentem contra a vida do indivíduo que (ISTO É IMPORTANTE...) não teve a chance de escolher por si. Como, por exemplo:

- TESTEMUNHAS DE JEOVÁ QUE ENSINAM E NÃO PERMITEM TRANSFUSÕES DE SANGUE PONDO EM RISCO A VIDA DE SEUS DEPENDENTES;

O mesmo se aplicaria aos ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA que creem que a Terra existe só há 3.000 anos?

NÃO, pois isto é uma crença que não implica na imposição de se aceitar um risco de vida a outrem.

E os mórmons, de seitas poligâmicas, em tese extintas? Em tese... Se for consensual esta forma de matrimônio, ok. Mas, como sabemos, em boa parte dos casos não há consenso nenhum, mas até um tráfico de esposas. Agora, se surgissem seitas poliândricas, nas quais uma mulher poderia ter vários homens? Será que nossos fundamentalistas também acatariam-na em nome da "liberdade religiosa" ou se calariam como verdadeiros hipócritas que são?

Respondam sem mimimi.

quinta-feira, maio 28, 2015

!


"Pensamento do dia:
Finalmente uma verdade dita por  nossa Presidente.
Na copa, ela disse que seu governo era padrão FIFA.
Ontem, o mundo entendeu!"

sábado, maio 16, 2015

Uma pátria educadora começa pela extinção do ECA


Este tipo de matéria pobre sobre o assunto educação tem lá sua utilidade:

BBC Brasil - PIB do Brasil pode crescer '7 vezes' com educação para todos, diz OCDE    http://bbc.in/1zZzRq3

Falo sério, graças a esta divulgação posso entender porque a educação vai mal: porque não é entendida. Vejamos aqui:

"Em outras palavras, a OCDE estima que um cenário em que todos os adolescentes de 15 anos estejam estudando e alcançando um nível básico de educação pode ajudar o PIB do país a crescer mais de sete vezes nas próximas décadas.A análise se baseia na pontuação de alunos de 15 anos em testes de matemática e ciências. E configura o mapa mais completo dos padrões de educação em todo o mundo."

Maravilha... Mas, o cenário supõe que as crianças que estejam estudando estão melhores do que as que não estão. Parece algo óbvio, mas não é... Aqui em S. Catarina, um dos estados melhor situados nestes índices há uma das maiores taxas de evasão quando o estudante passa para o ensino médio, ou seja, quando ultrapassa a marca dos 15 anos. Provavelmente porque isto não fará quase nenhuma diferença na vida do sujeito, ao passo que estudar no ensino básico sim para obter o emprego almejado. A baixa qualificação é o lugar comum, então para que continuar? E não é só retórica, para que continuar? Dizer que o PIB brasileiro pode aumentar sete vezes se todas as crianças forem para a escola e citar o exemplo de Singapura é uma falácia. Porque não é só sentar os glúteos na cadeira (se bem que nem isto fazem direito hoje em dia) para que o PIB aumente. Qual o plano? Qual o método? Como será a organização? Cara, nada disto é feito, só é presumido e fica a cargo dos municípios na prática. Então meu amigo, cidades pequenas, que predominam, há uma disputa para indicações políticas para cargos administrativos (diretor etc.), cuja função precípua é não deixar os problemas passarem às secretarias de educação e prosseguir até o gabinete do prefeito. A ideia básica é "não criar problemas". Nas cidades maiores se torna um pouco melhor neste quesito, mas por outro lado os problemas se concentram. E os sindicatos ficam de quatro quando são agraciados com migalhas. Embora digam que não, suas representações se limitam à questão salarial e têm ojeriza a qualquer reestruturação visando o aumento de eficiência, produtividade e cobrança de resultados. Ou seja, os sindicatos ajudam a educação a permanecer estagnada. 

Também tenho que verificar o estudo em si ao qual se faz referência na matéria e não apenas um resuminho da BBC, mas fico embasbacado ao ler que o estudo se baseia somente em testes de matemática e ciências. É óbvio que se estendessem o mesmo para a capacidade de entendimento e leitura aí teríamos boa parte da causa da decadência e baixos níveis obtidos em outras disciplinas. Disciplina... Soa até hilário chamá-las assim. Alguém tem aí a mais vaga noção do comportamento coletivo padrão em salas de aula brasileiras? Não né? Então esqueçam, pois sem atacar isto, nada vai além. E creiam-me, tem a ver com o lixo do ECA sim. 


quinta-feira, maio 14, 2015

Sobre os erros no ensino da Geografia – 01


Imagem: pedrobendassolli.com

Por Anselmo Heidrich

De acordo com a matéria Onze erros comuns entre os professores de Geografia - Educador Brasil Escola http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/onze-erros-comuns-entre-os-professores-geografia.htm, são erros da prática de ensino em geografia:

1.      “Não esclarecer o conceito de geografia e seus objetivos”. O engraçado é que a geografia, etimologicamente falando, deveria ser um dos campos do conhecimento mais claros que há, de maior simplicidade em seus objetivos. No entanto, com a afluência do marxismo nas ciências sociais e na geografia desde os anos 70, não é. Alias, ficou bem confuso saber o que é e o que não é a chamada geografia.

Mas, a geografia é uma “ciência social”? o problema começa justamente aí. Em minha opinião, não. Não porque ao tratar da distribuição e relação entre fenômenos na superfície terrestre, este campo do saber não se limita às praticas humanas e suas influências e consequências, por mais abrangentes que sejam hoje em dia. Um terremoto no Nepal, p.ex., pode ser estudado do ponto de vista do impacto que teve na sociedade nepalesa e seus vizinhos, bem como nas relações políticas e econômicas regionais e globais, mas também pode ser visto e analisado eminentemente por suas razões físicas, geológicas e impactos geomorfológicos, hidrológicos, biogeográficos etc. Ora, isto não é fugir da “realidade social”, mas avaliar algo que está ali há bilhões de anos que existe e continuará existindo por mais afetada que seja, a biosfera terrestre. Como já foi dito inúmeras vezes pelos marxistas, “a geografia não é uma ciência de síntese”, que queriam enfatizar o estudo da chamada Segunda Natureza, conceito presente na obra de Marx para enfatizar a lógica social do Capital que analisava. Mas o fato é que ela é sim, se situando na intersecção de vários campos do saber e esta é que é a sua especificidade, força e beleza, se me permitem a licença poética.
 Soa engraçado hoje em dia, quando a demanda do mercado por este tipo de profissional se torna crescente, os geógrafos neguem seu papel, consequência de seu ensino marxista. Não é a toa que surjam cursos como “administrador de cidades”, “gestor ambiental”, cujas atribuições e currículo são aquelas que já foram marcas registradas dos geógrafos. Depois não adianta reclamar que outras categorias “roubaram suas atribuições”. Na verdade, elas competem e ao ver a inoperância, inépcia e até negligência de muitos geógrafos aproveitaram a deixa.
 No entanto, por mais atraso que os ideólogos acadêmicos causem aos estudantes, as necessidades e interações humanas falam mais alto... Após décadas de doutrinação em salas de aula, congressos, encontros, colóquios etc., o estudo das informações geográficas, dadas opor imagens de satélite e fotos aéreas levou ao desenvolvimetno de um novo campo de estudos, o Sistema de Informações Geográficas (SIG, ou GIS na sigla em inglês). Também chamado de geoprocessamento ou geomática é ele quem tem fornecido empregos e gerado utilidade para este profissional que sai fresquinho da academia. Pesquisadores como foi o caso de Aziz Ab’Saber, dentre outros mostraram a importância da geografia física e fizeram com que esta ciência não perdesse o bonde da história com o crescimento da problemática ambiental. Se hoje temos geógrafos atuando ativamente neste campo e sendo úteis à sociedade se deve em grande medida a estes senhores. E isto que eu não estou avaliando a opinião de Ab’Saber sobre política ou economia, que era geralmente deplorável. Mas isto só mostra como sua prática científica era verdadeira, sendo imune e objetiva frente às suas opiniões. Leia e compare qualquer obra destes pesquisadores com a vaguidade de marxistas como Milton Santos e outros para entender claramente o que eu digo.
 Lembrar aos alunos qual a importância da ciência que se estuda com casos práticos e análises não deveria ser responsabilidade de uma única ciência. Se é cobrado isto da geografia é porque realmente não está claro o que ela faz e como faz. Isto não depende da definição de seu objeto, mas da clareza do que vem a ser um método geográfico. De que modo abordar um tema sem ser um estudo geológico, biológico etc? Esta é a questão.
 Eu acho que estes estudos existem, que tais métodos e abordagens também existem, mas se uma gama de profissionais não conseguem fazer algo mais do que um apanhado de informações sobrepostas da geologia, biologia e sociologia ou economia não são uma nova espécie de cientistas, sinto muito. No máximo sim, bons compiladores. Acho que a geografia pode se especializar em relacionar tais áreas e deve fazê-lo, do contrário abortem-na.
 Desde o século XVIII quando a geografia virou saber acadêmico, inicialmente na Alemanha, depois no resto da Europa até cruzar os oceanos no século XX, que a geografia não passava de um campo de saber organizado para justificar ou promover ações de estado, seja com o determinismo geográfico dos alemães, que seria inspiração para ações invasivas ou o possibilismo dos franceses, que afirmava, acertadamente, que o homem não é um mero produto de condições climáticas e/ou escassez de recursos naturais, sendo facultado a ele, a criação e construção de alternativas.
 Como se lê:

O grande erro dos professores de Geografia é realizar essa tarefa em apenas uma aula, durante um período específico do ano. Sempre que possível e necessário, é preciso lembrar aos alunos que a Geografia é a ciência que estuda o espaço geográfico, que aborda os seus aspectos naturais e humanos e que se baseia em importantes conceitos, como o de paisagem, espaço, lugar, região, território e muitos outros.


Dizer que um conceito é importante sem provar com análises sua importância não passa de doutrinação. Não se precisa dizer que a matemática ou o estudo de idiomas é importante, ele constantemente prova isto ao ser aplicado. De que modo a geografia é aplicada no cotidiano? Eu sei que sim, mas é justamente isto que precisa ser evidenciado aos alunos. Algum físico fala extensivamente sobre o significado e importância do conceito de energia para a sociedade? Claro que não. Ela mostra como se faz uso contínuo da energia e seu conceito é esmiuçado em estudos sobre situações. Qualquer caboclo tem noção do que seja a paisagem, o espaço, o lugar, uma região, o território etc. e há vários conceitos para isto, não precisamos de um teórico impondo um conceito à sociedade para com a mudança do significado se maquie uma nova cosmovisão para com isto empurrar goela abaixo seus objetivos... Escusos. Isto também não é uma teoria conspiratória porque não se trata de um segredo, algo articulado, pensado e aplicado metodicamente. Trata-se apenas de um cacoete burro de quem não questiona sua própria ação. Ao seguir o conselho dado para sanar o primeiro defeito do professor de geografia, o referido artigo está justamente asseverando vários defeitos cotidianos de quem não mostra o valor do conhecimento e método geográfico sem necessidade de propaganda ostensiva.
 Quando eu era estudante de pós-graduação na USP, lá pelos idos dos anos 90 perguntei à três físicos como eles estudavam o espaço, conceito em voga e moda na geografia marxista e pós-moderna da época, e me responderam com cara de confusos “em que sentido?” Não lhes parece óbvio que sem especificar o problema não há estudo válido, útil ou realmente importante? A importância de algo está na razão inversa da necessidade de dizer que é algo importante. Analogamente, se eu me apresento para uma entrevista de emprego devo deixar que minhas ações, palavras, provas, currículo falem por si e não minha afirmação de que “sou importante porque sou importante porque sou...” e assim por diante.
 Conceitos como o de paisagem para estudar a seca nordestina são úteis, mas sem quantificar o que se vê ou se sofre na paisagem nordestina, o estudo da seca não apresenta nada de novo. O como algo se processa é tão ou mais importante do que o que é este algo para que saibamos tirar proveito deste conhecimento. Para além de lembrar conceitos, o método de estudo é que é fundamental e daí, qualquer objeto pode se ser estudado dentro da geografia. Lembrar que algo é importante soa como catequização se não há possibilidade de questionamentos, dúvida e controvérsia até sobre a suposta importância de algo.
 Repetir mantras pode ser útil para prender alunos em sala de aula, adestrar cães ou estimular a fé de monges, mas não para fazer ciência.

(Continua ...)

14 maio de 2015

terça-feira, maio 12, 2015

Bobagens cubanas



 Um idiota escreveu:

“Você é mesmo desinformado. O governo cubano vem preparando o país para adaptar-se novamente ao capitalismo. Mas não esse capitalismo selvagem e injusto. Será uma espécie de social-democracia.

Ah sim! O governo cubano vem preparando o país há mais de 50 anos o país para o capitalismo, isto depois de ter insistido de modo SUICIDA num caminho para o subdesenvolvimento, que só foi mais escamoteado graças ao TOTAL SUBSÍDIO SOVIÉTICO. Quando a URSS deixou de existir, PORQUE SIMPLESMENTE FALIU, o estado dependente, que como craqueiro sem pedra definhou por completo. 

Para entender o que se passa atualmente em Cuba tem que se levar em conta três fatores que levaram à REAÇÃO e MUDANÇA DE ESTRATÉGIA de Washington:

1.      O governo de Caracas;
2.      A influência russa (vendendo armas para a Venezuela e tentando construir um canal na Nicarágua, que ligaria os dois oceanos como alternativa ao do Panamá);
3.      Aplicação da força contra interesses estratégicos do Itamaraty (diplomacia petista) e de Pequim.
Assim vocês conseguem entender o porquê da retirada do embargo (que a sua época teve sentido) e associação com Cuba que, quer queira ou não, é uma importante ilha no Caribe.
Ignorar estes fatos e achar que Havana planejou algo é assinar um atestado de estupidez.

E agora o embargo, que sempre volta como eterna justificativa para meio século de subdesenvolvimento e ditadura. Quanto a esta última, o governo castrista simplesmente NÃO TEM DESCULPAS. Se Pinochet no Chile executou mais de 3.000 pessoas, o que dizer de Fidel que ceifou a vida de 17.000 pessoas? A maioria, aliás, ACUSADA DE CRIME DE CONSCIÊNCIA. Acordem!

O embargo não deveria ter durado tanto, é verdade, MAS à época, como reação à ameaça soviética, com mísseis apontados para o território americano, não havia nada mais sensato. Ou era isto, ou a ilha seria atacada. Kennedy procurou uma solução de contenção.


segunda-feira, maio 11, 2015

Dia das Mães


Desculpem, não resisti.


Ajuda aos pobres


Sobre ajuda externa, umas palavrinhas de Milton Friedman:

“Folha – O que acha da decisão recente do G7, de perdoar o débito dos países mais pobres?Friedman – Bem, eles não iam receber esse dinheiro de qualquer maneira… Acredito que a ajuda financeira externa mais prejudica um país do que o ajuda. O mundo seria um lugar melhor se o FMI nunca tivesse sido criado, o Banco Mundial não existisse.
Folha – Por quê?Friedman – Ao emprestar dinheiro a governos fracos, você os fortalece. E o dinheiro nunca chega aonde deveria chegar. Muitas ditaduras nasceram de empréstimos do FMI ou do Banco Mundial. O ideal é que o dinheiro fosse emprestado pelos países ricos diretamente para as empresas de países pobres, tirando o governo da equação. Se não pagassem, seriam as empresas que entrariam em concordata, não os países.”  

quarta-feira, maio 06, 2015

Provocações: estado mínimo v. anarquismo


Deem uma lida nisto:

"Na verdade, as sociedades com governo mínimo ou inexistente imaginadas pelos sonhadores de esquerda e direita não são fantasias; elas existem de fato no mundo em desenvolvimento contemporâneo. Muitas partes da África subsaariana são o paraíso de um libertário. Toda a região é uma utopia de baixos impostos, com o governo incapaz de arrecadar mais de 10% de tributos comparados com mais de 30% nos Estados Unidos e 50% na Europa. Em vez de liberar o empreendedorismo, esta alíquota baixa confere fundos insuficientes para serviços públicos básicos como saúde, educação e enchimento de buracos. Inexiste a infraestrutura física da qual depende uma economia moderna, como as estradas, os sistemas de justiça e polícia. Na Somália, não existe um governo central forte desde o fim dos anos 1980, pessoas comuns podem possuir não apenas fuzis de assalto, mas também granadas propelidas a foguete, mísseis antiaéreos e tanques. As pessoas são livres para proteger suas famílias e, na verdade, são forçadas a fazê-lo. A Nigéria tem uma indústria de cinema que produz tantos títulos quanto a famosa Bollywood indiana, mas estes precisam gerar um retorno rápido, porque o governo é incapaz de garantir direitos de propriedade intelectual e impedir a pirataria."
 
--FUKUYAMA, Francis. As Origens da Ordem Política. 2013, p. 28. 

E aí, o que acharam?