Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

Compre o livro NÃO CULPE O CAPITALISMO nos links abaixo:




segunda-feira, dezembro 26, 2016

Sobre Festas Religiosas e Tolerância



Algumas escolas e correntes ensinam que é errado festejar o Feliz Natal por ser uma festa religiosa e o sistema público de ensino deve seguir a laicidade do estado, de separar a política da religião. Tem lógica, mas... Se a festividade, seja ela qual for, se trata de uma atividade extra-curricular, com o envolvimento da comunidade e se, a festa natalina, inclusive com a interpretação religiosa lhe convém, por que festejar uma festa de natal com interpretação cristã seria errado? Em nosso entendimento, não.
No entanto, qualquer outra interpretação religiosa ou não, mas que tenha significado relativo à data não deve ser igualmente cerceada ou seus entusiastas censurados. Se vale para um grupo de fiéis, evidentemente que deve valer para o outro.
Se acreditamos piamente que a Liberdade é o melhor meio (e fim) para formar uma sociedade justa, a única maneira de desenvolvê-la é alimentar a manifestação de qualquer um que pregue a tolerância e através desta, a liberdade própria e alheia.
Feliz Natal, Feliz Ano Novo, Boas Festas, Feliz Yule, o que for, mas que a Paz reine em nossas mentes!



quarta-feira, dezembro 21, 2016

A busca de causalidade perfeita em sociedade é um sonho de religiosos

 
O medo de uma sociedade livre é o medo da extinção da religião, a necessidade de controle das ideias e proteção dos templos não defende nenhuma fé em deus, mas só prova a fraqueza desta mesma fé.

O liberalismo leva ao marxismo.
Pode levar, assim como uma sociedade livre pode levar a sua ruína, também pode levar a sua redenção. Mas afirmar que leva ao marxismo como se houvesse uma sequência lógica entre uma coisa e outra é coisa de conserva porque eles creem que liberais não dão atenção à valores morais. Tolice, tanto dão que ninguém obriga um liberal a valorizar sua família, ele já o faz, só que sem que ninguém imponha isso. Mas os conservas não se satisfazem com isso, eles querem mais, querem que você se ajoelhe perante um deus, perante uma religião e que essa seja aceita pelo estado. Nem todos o dizem declaradamente, mas este é o ponto de partida deles, pode acreditar. Veja a que ponto chega a demonização do mercado livre quando vários conservadores dizem que o estado laico é um estado ateu e que a perda de valores e da moral é a consequência lógica disto tudo. Claro que não é isso que ocorre, pois se fosse assim, tribos não teriam deuses, em que pese não terem um estado. E o próprio cristianismo que tanto valorizam surgiu e cresceu sem e, mais ainda, contra um mega-estado na antiguidade, o império romano. Podemos, no entanto, digressar sobre a validade e/ou necessidade de organizações estatais, mas sob um ponto de vista prático, administrativo, funcional, mas nunca sob um imperativo ideológico que é o que está por trás do discurso conservador. Reitero que nem todos assumem isto, mas o que se pode concluir quando alguém diz que o liberalismo leva ao marxismo? Ora! Que se não queremos o marxismo proibamos ou, na melhor das hipóteses, regulemos o liberalismo, não é? Mundo doido: para impedir de acontecer uma ditadura, eu já me adianto com outra, só que sob o signo do divino. Para evitar o laicismo-ateísta (que é uma invenção mentirosa de conservadores como Olavo de Carvalho), eu me ajoelho perante a Cruz. Acha exagero? Então olhe para o leste e veja como muitos já fazem isto, só que para uma Lua Crescente...



Como nos autoenganamos cotidianamente: leituras sociais e políticas


Ótima matéria:
Seu cérebro prefere as notícias que lhe dão razão. Não gostou? Há provas http://brasil.elpais.com/brasil/2016/12/14/ciencia/1481728914_575054.html?id_externo_rsoc=TW_CC via @elpais_brasil

A típica visão de esquerda da doutrinação
tem a religião como fator fundamental.
Só assim fica fácil entender fenômenos de quem defende uma “luta contra os poderosos”, mas fecha os olhos ao PT e, principalmente, ao “fenômeno Lula”, um criminoso e detentor de uma injustificável fortuna bilionária que ainda é visto como o “pai dos pobres”. Ou, mais longinquamente, enquanto soviéticos atacavam as democracias, nossos militantes de esquerda atuais ainda insistem em dizer que “o comunismo nunca existiu” e propõem um projeto de “socialismo democrático”. Mesmo admitindo que para se executar o socialismo tenha que se concentrar mais o poder discricionário na economia nas mãos deste organismo, o estado. Em suma, para que defendamos o ideal comunista, grau máximo da liberdade social (para o comunista, claro), tem que se concentrar (contraditoriamente) o poder nas mãos de uma elite tecnocrata durante um estágio intermediário, o socialismo.

AGORA pense no outro lado, que não significa, exatamente, “no contrário”. No Brasil atual, se admitirmos que alguém, autointitulado “de direita” significa, entre outras coisas defender a propriedade privada, a democracia representativa e o estado de direito teríamos então, uma grande gama de direitistas nacionais. Claro que há muito mais variações nesta categorização e não há unanimidade em certos pontos, especialmente no que se refere à democracia quando se trata de libertários. Mas, admitamos então que haja algo que possa ser definido como Direita, o que faz com que vote em alguém que desafia, frontalmente, alguns de seus pontos basilares:

... O que não é, essencialmente, diferente da 
visão de direita sobre o processo de doutrinação 
ocorrido nas escolas. 
Não é que ambos estejam errados, 
mas que estão todos 
corretos em suas acusações. 
No entanto, o singular é que nenhum 
nem outro pólo percebe que 
o outro também aponta e acusa 
acertadamente. 
Enquanto esquerda e direita acusam 
a doutrinação alheia, 
não percebem a sua.
1.      Que defenda um protecionismo de mercado nacional;
2.      Que se alie a governos claramente autoritários e estados plutocráticos;
3.      Que se utilize de uma retórica trabalhista constante (workers, workers...) e lance mão de artifícios populistas, como se vestir de garçom junto aos seus empregados etc.
4.      E, o pior, que eventualmente substitua o discurso de combate ao crime e, especialmente, ao terrorismo por uma valorização do que seja o “verdadeiro cidadão nacional” etc.

Agora ponha como adendo ao ponto 1, americano; no 2, Putin; no 3, Trump na cozinha de seu restaurante; no 4, em um dos vários discursos de Donald Trump. E me diga se há alguma lógica em alguém que defende o liberalismo econômico e uma sociedade aberta apoiar a candidatura de Donald Trump? Antes que me digam que defendo Hillary Clinton respondo que não e um não definitivo, pois a geopolítica sobre sua batuta, especialmente no Oriente Médio, como uma adaptação da desastrosa campanha de George W. Bush no Iraque foi uma amplificação exponencial de suas mazelas. Cada um desses, em ações específicas carrega sua chaga política. Em defesa de Trump podemos dizer que não podemos julgá-lo pelo que ainda não fez, mas podemos julgar sim quem tapa os olhos para apenas achar um paladino, uma espécie de cruzado que com sua capa desafie o que ele enxerga como exemplo da esquerda americana, o que também é outra ilusão. Este tipo de patetice também pode ser observada quando, por exemplo, se defende os Confederados durante a Guerra de Secessão Americana simplesmente porque eles eram contra a União e a União representava um estado centralizador (federal). Ora, mas e a liberdade individual dos escravos que poderia advir com a vitória dos yankees (nortistas)? Isto não parece interessante ao paranoico, pois como estamos dizendo desde o início, se seleciona a informação mais conveniente.

Como escreveu um interlocutor:

"Eu li a matéria Anselmo.. me lembra muito a estratégia de esquerda de repetir várias vzs uma mentira, ao ponto de se tornar uma verdade... A matéria é interessante tb me deixou uma dúvida. Por exemplo: ali no contexto mostra que nosso cérebro preferem notícias que nos dê razão, msm sendo uma mentira. Porém naquela matéria acima: o porte de armas.
Muita gente apóia. E se trata de uma notícia que dá razão a pessoas que se simpatizam com o porte de armas liberado pro cidadão civil.
Porém a própria pesquisa, feita pela faculdade revela que a violência reduz em sociedades em que o porte é liberado.
Essa última tese, a dá mentira, é genérica? Serve pra qualquer contexto? Pergunto pq sei tb que há pessoas que não apóiam o porte de armas a cidadão civil. Pois muitos alegam que não adianta ter o porte, sem ter informações e treinamento para portar."


Muito boas tuas questões, M.

Eu te diria que a vacina contra a manipulação ou tendenciosidade inconsciente, pois muitos de nós podemos ser tendenciosos (e somos) sem o saber é ler de tudo confrontando assim visões. A pesquisa de Harvard, no caso, não é uma conclusão sobre o tema, pois não há nada que se conclua sobre nada. E daí como ficamos? Não ficamos, se trata de um eterno caminho em busca da verdade. Veja isto, a Verdade, como um luz no horizonte para a qual tu sempre tem que caminhar, mas sabendo que durante o percurso encontrará várias falsas luzes.

Vejo da seguinte forma: durante o início do estabelecimento do pensamento científico que conhecemos hoje, o positivismo era senso comum que as teses tinham que ser validadas (diferentemente da metafísica) e, portanto, provadas. Mas, como sabemos, nem toda boa ideia é passível de ser provada. Trocando em miúdos, não temos prova sobre tudo, nem mesmo sobre aquilo que embasa muitas de nossas ações. Então, como fazemos?

Popper, que é um de meus filósofos preferidos foi quem mais defendeu a ideia de que não se trata de provar, mas de refutar. Como assim? Tu tem uma ideia... Chamemos de hipótese, que é uma ideia que pode ser testada sobre algum tema ou questão. Então, tu tem uma ideia/hipótese sobre algo e mantém tua crença, firmemente, nesta explicação (a ideia, a hipótese) e ela será válida até que... Outra se apresente e se mostre melhor, isto é, superior. Então, no pensamento científico atual, as ideias se mantém verdadeiras até que outra, em competição se mostre mais adequada. Veja bem: não se trata de acreditarmos em "mentiras aceitas temporariamente", pois não houve intenção de enganar ninguém, mas sim em visões que são aceitas como parte do processo de constituição e busca da Verdade. Por isto... E ESTE É O PONTO QUE DIREITISTAS E ESQUERDISTAS DEVERIAM PRESTAR ATENÇÃO:

Mesmo que tu acredite firmemente em algo, leia o oposto, confronte com o contrário e veja as razões dele, mesmo que tu já esteja firmemente decidido a rejeitá-lo, faça, mas faça se atendo ao argumento central.

Agora eu pergunto, quantos de nós faz isto com firmeza?

Quantos dos políticos favoritos de muitos conservadores aqui faz isto ao invés de dizer que seu opositor é um "viado" só porque o cara é ex-BBB?

Quantos dos filósofos tidos como referência para muitos aqui faz isto ao invés de dizer que "combustíveis fósseis não existem" só porque sua existência contradiz a visão bíblica de formação do planeta?

E por aí vai...

Sim, o pensamento de esquerda mente desbaratadamente. Mas eu pergunto nós também não estamos criando uma mentira coletiva ao nos juntarmos só com aquilo que nos confirma o que já acreditamos?

Muitos veem a esquerda como algo demoníaco. Não, não é. É apenas o resultado de um processo social que surgiu em reação a alguma coisa tida como um problema. Ah! Mas foi uma resposta ERRADA! Sim e sabe por quê? Porque seus defensores (de esquerda) não se prestaram a ler os seus opositores.

E agora vamos fazer o mesmo jogo e migrar pro outro precipício só porque está a direita?

Recentemente li de um blog que Trump mandou um recado aos terroristas de Berlim enquanto que Obama foi jogar golfe. Muito bem, isto quer dizer que Trump é melhor do que Obama ou que soube aproveitar, politicamente, o momento? Vocês acham que estou sendo severo demais com Trump ou só estou sendo cauteloso para esperar pelo que, realmente, ele irá fazer? E para isto, só o tempo poderá dizer. Também li no site do Spotniks que o governo Obama deportou mais imigrantes ilegais no primeiro mandato que todo o governo Bush em 8 anos. Então...

Por que não temos um monte de conservadores de direita anti-imigrantes ilegais comemorando isto e elogiando Obama???

Mas...

Temos um Rodrigo Constantino apontando só a hipocrisia da esquerda em não admiti-lo??? (cf. http://rodrigoconstantino.com/artigos/obama-o-terror-dos-imigrantes-ilegais-ou-eterna-hipocrisia-da-esquerda/)

Sabe por quê?

Como diz a matéria original, nós escolhemos a matéria com víés que confirma o que JÁ pensamos sobre o assunto.

Meu conselho: SE POLICIE. Vire o investigador profissional cujo principal suspeito é você mesmo. Assim, tu terá um salto de qualidade em tua vida intelectual.

Alguém disse e me esqueci o nome... Crenças baseadas na paixão prestam mau serviço à própria paixão.



...


terça-feira, dezembro 20, 2016

Como o discurso politicamente correto se torna contraproducente


Jordan Peterson, professor de psicologia na Universidade de Toronto (imagem: cbc.ca).

Li o primeiro parágrafo e adorei:

"Estamos ensinando mentiras a universitários" - Uma entrevista com Dr. Jordan Peterson
http://xibolete.uk/peterson/ via @xibolet

Esta perspectiva integradora - natureza e humanidade -, na qual ele procurou entender os problemas sociais a partir de uma análise próxima à biologia é assaz sedutora. Isso choca:

Uma das coisas de que estou tentando convencer meus alunos é que se eles tivessem vivido na Alemanha na década de 1930, eles teriam sido nazistas. Todo mundo pensa “eu não”, e isso não está correto. Foram em grande parte pessoas comuns que cometeram as atrocidades que caracterizaram a Alemanha nazista e a União Soviética.

Saber que pior do que encarar um psicopata, assassino serial o que seja é identificar o mau em nós mesmos. Uma das teses mais idiotas que já vi é dizer que o esquerdismo é uma doença mental, como já se tornou usual ouvir de conservadores por aí disseminando a tese de um livro que adquiriu certa fama. Este é um dos traços do fanatismo ideológico disfarçado: se apoiar em resultados de pesquisas científicas convenientes e, claro, solenemente descartar outros. 
E a percepção dele, acertadíssima, sobre onde leva a adoção compulsória de termos que buscam resignificação é perfeita, se trata de uma novilíngua que muda o raciocínio, o julgamento e o valor dificultando uma visão de oposição, de dissenso, enfim, de liberdade.
O que tem que ficar claro é que esses projetos não se bastam a uma escolha livre da própria identidade, mas sim em uma imposição da identidade escolhida a outrem, o que é bem diferente, se trata de um ataque a liberdade de julgamento, como se a liberdade de expressão fosse unilateral:

Há coisas sombrias acontecendo. Para começar, o Projeto de Lei C-16 codifica construtivismo social no tecido da lei. O construtivismo social é a doutrina de que todos os papeis humanos são socialmente construídos. Eles são desvencilhados da biologia subjacente e da realidade objetiva subjacente. Então o projeto C-16 contém um ataque à biologia e um ataque implícito à ideia da realidade objetiva. Isso também é flagrante nas políticas da Comissão dos Direitos Humanos de Ontário e na Declaração dos Direitos Humanos de Ontário. Ele diz que a identidade é puramente subjetiva. Então uma pessoa pode ser homem em um dia e mulher no próximo, ou homem em uma hora e mulher na próxima.

Os opositores dele dizem que não detém tanto poder quanto são acusados, mas como diz Peterson por que então transformar isto em um princípio legal? Ou como exemplifica, o princípio jurídico basilar em Ontário (e não só lá) de que se é inocente até que se prove o contrário passa a ser substituído pelo da "preponderância da evidência". E começa assim, nos campus para depois se alastrar por toda a sociedade. Enfim, o totalitarismo em sua forma legal, que difere do autoritarismo personificado. 
"Você não consegue meu respeito exigindo-o [e] você não tem direito de eu tratá-lo de forma especial" são algumas das sentenças óbvias de Peterson que atacam a pretensão totalitária desses regulamentos. Como ele diz, ninguém é naturalmente bom, as pessoas são provavelmente más, um "balde de cobras" para usar sua expressão, mas é perfeitamente possível, como assevera, que utilizemos um "neutralidade cética" uns com os outros ou uma "confiança corajosa" que permita que nos relacionemos com educação sem que abortemos nossos princípios. Que se pare com esta mania de se sentir ofendido pelo que os outros irão pensar ou dizer sobre nós. 
A tentativa de ordenar o caos pela palavra, algo similar ao Cristianismo aqui assume ar de revolução, dogmática e profundamente anti-liberal. No entanto, a mensagem da esquerda autoritária é anti-liberal e não há compaixão nenhuma em suas ações, apenas o ressentimento. E quando não há um ressentimento se evolui para o ódio. As leis que visam controlar discursos, inclusive o discurso de ódio acabam limitando o diálogo e quando metades não se comunicam, temos a constituição de inimigos. Com inimigos temos o combustível pronto para uma guerra. O discurso politicamente correto, embora pleno de boas intenções acaba por ser contraproducente.

Então nós não deveríamos chamar alguém de ‘sua majestade’ só porque eles pediram isso?
Bem, esse é outro problema que está se escondendo sob o argumento da subjetividade, uma vez que você divorcia a identidade de uma base objetiva. Essas pessoas [defensoras de múltiplas identidades de gênero e leis para protegê-las] afirmam que identidade é uma construção social, mas mesmo que essa seja sua afirmação filosófica fundamental, e que eles a tenham inserido na lei, eles não agem de acordo com aqueles princípios. Ao invés disso, eles vão direto à subjetividade. Eles dizem que sua identidade nada mais é do que seu sentimento subjetivo daquilo que você é. Bem, isso também é uma ideia exageradamente empobrecida do que é que constitui identidade. É como a alegação de uma criança egocêntrica de dois anos, e eu quero dizer isso tecnicamente. Sua identidade não é só como você sente sobre você mesmo. É também como você pensa sobre você mesmo, é o que você sabe sobre você mesmo, é seu julgamento informado sobre você mesmo. Ela é negociada com outras pessoas mesmo se você for vagamente civilizado porque de outra forma ninguém lhe suporta. Se sua identidade não for um híbrido daquilo que você é e daquilo que as outras pessoas esperam, então você é como a criança no parque com quem ninguém pode brincar.

Além do mais, sua identidade é um veículo prático que você usa para manobrar a você mesmo durante a vida. Em sua identidade real, você é um advogado, você é um médico, você é uma mãe, você é um pai, você tem um papel que tem valor para você e outros. Nada disso é subjetivamente definido. Então isso é completamente absurdo, e filosoficamente primitivo, e psicologicamente errado. Ainda assim, está inserido na lei. Eu acho que a lei faz das discussões de biologia e gênero ilegais. Acho que nós tivemos um gostinho disso na entrevista da TVO Agenda que eu tive onde [o professor de estudos transgêneros da U de T] Nicholas Mack disse ‘bem, o consenso científico das últimas quatro décadas é que não há diferença biológica entre homens e mulheres’. Isso é uma proposição absurda. Há diferenças entre os sexos em todos os níveis de análise. Há escalas de masculinidade/feminidade que foram derivadas; elas são basicamente derivações secundárias de descritores de personalidade. Há diferenças enormes de personalidade entre homens e mulheres. Há literatura explorando diferenças entre homens e mulheres em personalidade em muitas, muitas sociedades no mundo todo. Eu acho que a maior publicação examinou 55 sociedades diferentes. E eles ranqueiam as sociedades por igualdade sociológica e política. A hipótese era que se você equaliza o ambiente entre homens e mulheres, você erradica as diferenças entre eles. Em outras palavras, se você trata meninos e meninas igual, as diferenças entre eles desaparecerão. Mas não é isso que os estudos mostraram. Na realidade, elas se tornam maiores. Aqueles são estudos de dezenas de milhares de pessoas. A teoria do construtivismo social foi testada. Ela falhou. A identidade de gênero é muito determinada biologicamente.

 Excelente.



...


Durante o Trumpoceno...



Período Trumpoceno                       
Era Olaveia                       

A pangeia era unida, nesse estágio/era aí tem muitos oceanos e cadeias montanhosas separando as terras. P.ex., ao sul dos EUA, os arqueólogos dataram a formação da cordilheira mais elevada do mundo na fronteira do que é hoje o México.                        

E onde está o Brasil, bem no que é hoje o Planalto Central, uma falha tectônica tão profunda que até agora não encontraram seu fim. Chamaram-no de Fosso do Moro... Para rivalizar com a atual Fossa das Marianas.



...

Um papo ANTI-Ancap




Caso se interessem pelo debate que proponho, ANTES
assistam ao vídeo acima:
Um papo Ancap - Anarcocapitalismo - Idéias Radicais https://youtu.be/TzpHaPyYS24 via
@YouTube
Libertários
defendem o que liberais defendiam x anos atrás. Como o que John Locke defendia
- opinião expressa no canal Mamãe Falei, Rafael Lima
O que ele esquece de dizer é que John Locke também
defendia a extinção dos ateus, caso eles não tenham se convertido ao teísmo. O
que não podemos fazer é isolar situações para justificar nossos julgamentos.
Locke, para os dias atuais estava muito aquém do que poderíamos, minimamente,
defender como um libertário. Claro que, para não ser anacrônico, se compararmos
o mesmo com Thomas Hobbes, cujas ideias se opunha, suas propostas foram um
avanço no liberalismo político.

O
liberal que hoje defende soluções pelo estado é um liberal sem criatividade,
que não consegue ver estas soluções pela iniciativa privada.
Mais adiante, Arthur Moledo do canal Mamãe Falei
oferece o exemplo da poluição de um rio por um proprietário. Rafael Lima propõe
a restituição através de um sistema judicial (que não deve ser necessariamente
estatal). Arthur brincou sobre a possibilidade de alguém poder “comprar o
oceano”... Claro que é um exemplo extremo e, virtualmente, impossível. Mas
Rafael Lima diz, explicitamente, que este é um exemplo difícil de responder, ao
que migram para outras questões, desta vez propostas por Rafael. P.ex., você
não tem o poder de agredir alguém, certo? Claro que não, mas você poderia ter o
direito de votar em alguém que decidisse agredir alguém? Claro que não, mas
segundo Rafael, o princípio do voto permitiria isto. Achei um sofisma nisto,
pois o apoio à democracia não é um apoio a qualquer coisa votada. Se for isto
poderíamos, inclusive, votar em quem atacasse e acabasse com a própria
democracia. O raciocínio de Rafael é um preâmbulo para a enunciação dos
chamados “direitos naturais”, mas cá entre nós, quando se fala em direitos
naturais se pressupõe a Natureza ou, como filósofos já definiram, o Estado de
Natureza. “Ah! Mas os direitos naturais não estão necessariamente previstos e
expressos na Natureza!” Bem, se alguém dissesse isto para se defender da
acusação de que Direitos Naturais não existem na Natureza não percebe que a
única maneira de se sustentar o argumento do anarco-capitalista é imaginar uma
situação ideal (chamaríamos de estado,
mas para evitar confusões vamos chamar de situação).
Quem defende o atual status quo de existir um estado, um conservador, p.ex. ou
melhor, um democrata se apoia no princípio de um Contrato Social. Ora, todos
sabemos que este contrato é uma figura de linguagem para uma evolução real, pois, na verdade, não houve assinatura de contrato nenhuma no
passado.
Agora me digam, no que este artifício intelectual se distingue do
outro, utilizado por seus opositores intelectuais, de direitos naturais
prévios? Em absolutamente NADA. E criar artifícios intelectuais assim até podem
te ajudar a ganhar debates, mas nada além disto, pois eles não elucidam (a) o
que realmente aconteceu; (b) o que realmente acontece e; (c) o que realmente
pode acontecer.

Questões sobre a Propriedade Intelectual... Não
tenho uma posição clara a respeito e a argumentação de Rafael me pareceu
convincente, mas eu gostaria de contar um caso, anedótico até... Certa vez, eu
discutia com um organizador do Liber, partido de libertários que nunca saiu do
papel devido a falta de militância que saísse da internet (foi por isto que o
Novo saiu do papel, porque não se restringiu à internet). Isto lá quando
existia o Orkut e perguntei se eu podia roubar/copiar todo o programa, o nome e
o logo do partido Liber dizendo ser minha criação já que eles se posicionavam contra a propriedade intelectual. Ele disse
que isto deporia contra mim mesmo, pois em um sistema de livre mercado, minha
imagem também seria julgada livremente e eu respondi que tudo bem, mas queria
saber, POSSO? Adivinhe se ele me respondeu, coerentemente, que sim... Adivinhe
se SEQUER ele me respondeu QUALQUER COISA... Até hoje eu estou esperando a
resposta.

Sobre “a direita estar vencendo na internet”...
Realmente, esta é a impressão que passa, mas tenho sérias dúvidas se não temos
uma falsa impressão, mesmo que em termos absolutos, os argumentos liberais e
conservadores estejam ganhando (em crescimento, ao menos) do esquerdista em
geral. Em primeiro lugar, também deve se incluir aí a direita estatal,
autoritária a la Bolsonaro que cresce muito e que, como sabemos não é nada
liberal. Talvez apenas no quesito propriedade privada de “bens tradicionais”,
como terra, meios de produção etc. Outro ponto a se levar em consideração é o
tal “algoritmo do Facebook” (e aqui estou falando de algo que eu não tenho a
mínima noção de como funciona), no qual as notícias, grupos e pessoas que “se
aproximam” e, exatamente por isso é que nós temos uma impressão de que estamos
ganhando. Portanto, cuidado com este julgamento. Cuidado porque ele é
conveniente e agradável e nem tudo que é conveniente e agradável é verdadeiro.

Meios de levar o anarco-capitalismo na prática
propostos por Rafael Lima

1.      Comprar
bitcoins
2.      Formar
um ancapistão em um determinado território
3.      A
uberização (não precisa derrubar o modelo proposto pelo estado)
4.      Formar
uma bitnation (se organizar fazendo seus próprios acordos)
5.      Também
pode se utilizar o meio democrático (o chamado “voto ofensivo”)
Eu acredito plenamente na tecnologia e organização
que esta permite como meios pelos quais sociedades mais livres surgem. De modo
que os pontos 1 e 3 me parecem plenamente viáveis, até para que tais métodos possam
viabilizar o anarcocapitalismo, ainda que em um longínquo tempo futuro. Exemplo
da combinação desses dois meios é a formação do 4º que é a fusão deles. E concordo
plenamente também com o 5º método, ainda que seja mais difícil, pois nem sempre
temos boas opções e nem sempre temos opções minimamente razoáveis... Pense em
Trump que é um protecionista de mercado versus Hillary, uma intervencionista na
política externa ou, em um futuro e horroroso cenário doméstico, Ciro Gomes VS.
Jair Bolsonaro, ambos claros inimigos da liberdade econômica e, para se
imporem, aposto que não titubearão em atacar as liberdades civis também.
Deixei o ponto 2 por fim porque, precisamente, ele é
que desmonta boa parte da teoria ancap (anarcocapitalista). Uma definição básica
de estado inclui território (mesmo que se diga que há povos sem estado, não há estado
sem território) e aí os ancaps são trazidos de volta à realidade, pois:
(a) como estabelecer linhas de defesa minimamente
capazes sem FFAA?
(b) como sobreviver sem infraestrutura viária que
levaria tempo para ser implementada sem um organismo unificador (o estado)?
(c) como sobreviver em territórios ermos ou de
recursos escassos? Um exemplo são estes enclaves somente permitidos porque são áreas
sumamente desinteressantes (ex.: BBC
Brasil - Homem 'toma posse' de território para 'fazer da filha uma princesa'
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/07/140715_territorio_filha_pai)
ou que não oferecem risco aos estados que as acolhem e ainda contam com a
defesa externa destes para lhes assegurar a existência (ex.:
Conheça Christiania: a cidade livre
dinamarquesa
http://roadfortwo.com/conheca-christiania-a-cidade-livre-dinamarquesa/).

(d) e, por fim, mas não finalmente, a própria ideia
de um Ancapistão é uma contradição em termos, basta pensar em como formar um
país com estado anarquista, o que seria a mesma coisa que dizer “subir para
baixo” ou “descer para cima” etc. Anarquistas, ancaps etc. são contra o estado,
exceto se por Ancapistão vocês esteja se referindo a um território e, pelo
menos em natureza, território pressupõe domínio, o que também não seria
garantido sem uso mínimo da força.

“O conservador mediano brasileiro é um varguista.”
Esta frase é perfeita, pois como ser conservador no Brasil? Esta observação é
perspicaz, pois ela mostra como há um hiato entre conceito e fenômeno no
Brasil, uma vez que nossas ideias são importadas (e não há mal nisso, pois
todos importamos ideias quando não as temos), MAS no caso, se trata de uma
ideia, o rótulo “conservador” adotado e aplicado sem a devida adaptação.
Malgrado, as analises de Rafael Lima (no meu entender, obvio) tem uma limitação
devido aos seus princípios dogmáticos. Dizer que o estado é imoral porque mesmo
quando ele pretende defender uma ordem moral e, por extensão lógica, a defesa
desta ordem seria imoral devido à imoralidade não passa de um paradoxo. Eles
não quiseram discutir religião ao final, mas vamos à ela aqui:



1.      Testemunhas
de Jeová que defendem que seus filhos não façam transfusões de sangue (devido a
uma tosca interpretação literal bíblica que proíbe “sacrifícios com sangue”),
mesmo quando necessário em caso de risco de vida tem que, obviamente, ter sua
ação impedida para preservar a vida de alguém que não optou, deliberadamente,
por extingui-la, no caso, o filho de um Testemunha de Jeová.

2.      Muçulmanos
que (que pode não ser a maioria, mas nem por isto deixa de ser um número
expressivo) defendem a agressão às mulheres como um direito masculino, do
esposo tem que ser impedidos de atuar assim pelo estado.

Apesar de eu gostar dos vídeos do Arthur e achar o
Rafael um sujeito educado e interessado no diálogo, um conselho: NUNCA fujam
dos DILEMAS. Nem se trata de um princípio ético, mas simplesmente porque isto é
o que mais vai aparecer na vida de vocês.




quinta-feira, dezembro 15, 2016

Educação e Estado



Alguém ainda acredita que para ter uma educação de qualidade basta aumentar o investimento no setor? A relação investimento/resultado abaixo prova que não. Algo que tem que ficar claro é que não basta aumentar gastos com educação sem um plano consistente para a alocação de recursos. Gastar mais, como costumeiramente se faz no Brasil não passa de inflar burocracias ou os ganhos do pessoal que não se encontra em salas de aula. Além do mais, não adianta pagar mais para profissionais da educação se isto não for acompanhado de um processo de monitoramento dos resultados de seu trabalho, isto é, não adianta aumentar a renda nivelando por igual quem produz mais e quem se mantém estagnado. Para um plano desses ter consequências, se faz necessário ter metas e métodos, inclusive de avaliação dos profissionais envolvidos e não somente dos alunos. Se queremos modernizar o estado desenvolvendo um sistema público de educação, a inspiração e respostas não estão na perpetuação dos vícios do sistema público e sim na, paulatina, reestruturação dos setores públicos.


quarta-feira, dezembro 14, 2016

A Doutrinação em 3% e Avatar


Diferente de Avatar, a arte de Roger Dean na qual foi inspirada, não te doutrina, mas te permite imaginar outros mundos por si próprio.

Recentemente, um amigo comentou que seus colegas de esquerda se animaram a criticar a desigualdade imposta pelo capitalismo conforme a veiculação da série brasileira 3% no Netflix ganhava audiência. Eu assisti um pedaço do primeiro episódio e não resisti ir até o fim de tão ruim, fake que era. Claro que qualquer filme de ficção científica apresenta um cenário e contextos falsos, mas não a atuação dos personagens que, no sentido diametralmente oposto precisa ser convincente de tão realista para nos trazer um mundo de fantasia como algo crível. A trama toda se passa em uma sociedade distópica, cujos membros tem que passar por um processo seletivo que exclui a imensa maioria dos participantes (97%) permitindo que pouquíssimos possam migrar e viver em uma ilha com boa qualidade de vida, distante do ar favelado de seu continente. E quem lembrou de nossa paisagem urbana ou da famosa foto do prédio com piscina na sacada ao lado de uma favela no bairro do Morumbi, bairro rico da capital paulista acertou em cheio. Foi este o recado que os criadores da série quiseram dar, o Brasil não passa de uma sociedade injusta, tremendamente desigual, na qual dificilmente seus membros tem alguma chance de ascender socialmente de modo que se fosse contado como uma ficção no futuro distante soaria mais realista do que realmente é. Só tem um detalhe... E tomo esta crítica justamente de meu colega, cujo olhar incisivo matou a charada logo de cara: não é o capitalismo que porta tais características e sim uma sociedade onde a principal e mais desejada forma de ascensão social se pauta em concursos públicos. Note que se trata de um processo de seleção imutável determinado por uma banca que, no caso da história ficcional é uma elite, mas na realidade brasileira é uma elite nababesca que determina, quando se trata do poder judiciário, os próprios ganhos! Diferentemente, no capitalismo, esse processo de seleção se dá pela dinâmica e diversidade constantemente produzidas e reinventadas pelo mercado onde quem, em última instância “redige as questões da prova” é uma massa anônima e ávida por novidades que lhe sejam úteis. Massa essa que de forma mais democrática possível se organiza para demandar o que quer, seja um bem material ou imaterial, fruto de suas necessidades prementes ou simples desejo fugaz, não importa. A tal organização chamamos por mercado.

Bem, já faz alguns anos, uma produção de orçamento elevado fez muito sucesso e continha, implicitamente, uma crítica similar, se chamava Avatar. Neste filme, um planeta pleno em vida selvagem, cujo equilíbrio nem por isso deixa de ser delicado é vilipendiado por um exército inimigo da Terra. Sim, nós... E para entender os motivos e métodos de um movimento rebelde, um soldado com paralisia é escalado para se infiltrar em meio a eles através de sua incorporação no corpo de um desses nativos. A produção é fantástica e, claramente, inspirada na obra e estilo de Roger Dean, o criador das fantásticas capas de álbuns da banda Yes (a quem não é dado o devido crédito, diga-se de passagem). Entre outras referências à clássicos (uma delas é Alien – o 8º passageiro), Avatar é um belo filme, mas de mensagem para lá de enviesada. Praticamente todos que saíram das salas de cinema onde o filme foi exibido devem ter tido a sensação de puro desconforto, uma náusea civilizacional pelo que “fizemos à outros povos”, pois é disso que trata a história, da exploração colonial. Mas, ora! O capitalismo não evoluiu por causa disso. Para qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento de história colonial (que não tenha sido distorcida pelos seus doutrinadores marxistas e leninistas), o colonialismo foi um péssimo negócio e, tão logo as nações imperialistas se desfizessem dos territórios ocupados puderam avançar economicamente, como foi o caso da Inglaterra e Holanda. Então, por que mantinham tais territórios sob pesada ocupação e domínio? Porque acreditavam em uma teoria econômica equivocada, o metalismo, tal e qual hoje se sofre com crises desnecessárias porque também se acredita em outra teoria econômica equivocada, o keynesianismo. Só mesmo marxistas não creem que ideias determinam ações e são a causa última de nossos erros. Só mesmo doutrinados pelo marxismo ainda acreditam que somos reflexos de uma mola econômica inconsciente que age por si só como um deus ex machina.

Há detalhes saborosos de doutrinação em Avatar... Lembram-se dos nativos em torno de uma árvore-mãe, todos ligados a ela por uma espécie de sensor-cordão umbilical? Recordo vagamente de algo assim. Alguém ainda quer melhor referência à perda da vontade individual e conexão com uma massa homogênea do que melhor alusão a um “comunismo primitivo” ou se preferirem a reedição do “bom selvagem” rousseauniano? Vejam... Não é que seus autores tenham, maquiavelicamente, nos pregado essa peça. Ninguém planeja um erro colossal na cosmovisão de nossa época, apenas reflete um pensamento corrente que se tornou forte moda de 1968 até nossos dias, cada vez mais presente em visões de mundo que sobrepõem a massa, o coletivo ao indivíduo. E quando teu professor de geografia te explica algo como se fossem autômatos reféns de uma globalização insana pode saber que lá em seu subconsciente existe esta visão estereotipada de nossa civilização e quando teu professor de direito repete automaticamente como se fosse a voz da razão universal que direitos coletivos devem se sobrepor aos individuais, podes saber que ele também foi uma peça de doutrinação que reproduz o que decorou, assim como um fiel que se ajoelha em direção à Meca faz todos os dias colocando sua individualidade abaixo do solo onde se ajoelha perante o todo poderoso deus, seja Alá para ele ou Jesus para os outros ou uma árvore para os nativos da ficção em Avatar.

Mas quem cria e muda o mundo é um indivíduo sempre, que marcha contra as forças da natureza e intempéries produzidas pelos agregados humanos de raças, classes ou religiões. É ele, o que tem a vontade como meta e a liberdade como combustível que mantém nossa chama e nossa esperança nesse nau chamada Terra.



terça-feira, dezembro 13, 2016

Quem é o Politicamente Histérico?

 


Lemos muitas críticas necessárias e corretas ao Politicamente Correto, que suprime nossa Liberdade de Expressão, mas do outro lado desse espectro comportamental há um tipo que se torna cada vez mais frequente, o POLITICAMENTE HISTÉRICO. Quem é e como age? Imagine aquele sujeito que chega em casa tira os sapatos, vai até a geladeira, pega uma cerveja, liga a TV no canal de esportes e estende as pernas com seus pés fedidos em cima da mesinha de centro. Daí, quando seu time erra um passe a gol, ele se transforma em um misto de vendedor de peixe com motorista de fim de semana preso em um engarrafamento.

É o tipo que vocifera quando criticamos o governo do PT dizendo "tu está usando a lógica da Direita" ou quando divulgamos que há mais políticos do PMDB e de todos os outros partidos envolvidos e temos que ler que "tu está fazendo como a Esquerda". Mas antes ficasse só neste âmbito político-partidário, pois quando se trata de qualquer, QUALQUER assunto que tenha um mínimo de ideologização, lá vem ele, como um Cruzado em busca de infiéis! Se divulgamos que o maior pico de calor desde o chamado "Aquecimento Global Antropogênico" já foi há mais de 10 anos ouvimos que somos "negacionistas", que não nos importamos com o meio ambiente e nossa responsabilidade enquanto espécie sobre este planeta, mas se por acaso achamos interessante uma perspectiva cataclísmica sobre o aquecimento global, seja de origem antrópica ou não, logo veremos a fúria dos "especialistas", melhor preparados que qualquer cientista da Nasa, pelo visto, nos dizendo que fazemos a lógica dos "globalistas", lacaios da ONU que, com sei Painel Inter-Governamental de Mudanças Climáticas, o IPCC pretende nos enganar mentindo sobre a mudança climática global para impor um governo mundial.

Uma coisa eu sei, se alguém se irrita com este tipo de análise qualificando-a como “adjetivação sem fim” é porque, muito provavelmente, se sentiu inserida em algum ponto da definição de histericamente político. Digo isto porque não faltarão agora aqueles que já se sentem membros de uma “equipe”, sejam os “bolsonetes”, os “anti-golpistas”, os ambientalistas, os direitistas etc. e etc. Quando criticamos um (na verdade, vários excessos) de Jair Messias Bolsonaro, quando o deputado profere uma asneira sobre quem pode votar e quem não pode (entre os que não podem, analfabetos), ou outros que dizem que “Bolsa-Família é crime”... Ora! Posso ser contra esse mecanismo por achar falho e que não cumpre seus objetivos e esses objetivos são opacos, mas crime é outra coisa, bem clara. Chame de imoral, ineficaz etc., mas crime é outra coisa. E não me venha dar uma de santo sem ser explícito ao dizer que é contra o sistema, essa palavra vaga e ao mesmo tempo dizer que logo os militares darão um jeito. Ora! Há quanto tempo temos um sistema disfuncional à sociedade? É de agora? Claro que quero que haja um fim nisto, mas querer um atalho, uma solução rápida e revolucionária não funciona. Militares tem a função clara e constituição de intervir em caso de desordem e para eles isto é claro, violência. Se nossa democracia é falha, então é isso mesmo, demora e é custoso arrumar tudo. Ninguém disse que seria fácil, que teríamos sucesso rápido e estrondoso. Trata-se de uma série de reformas, com pressão popular nas ruas após oficialização de pedido junto aos órgãos de segurança, sempre é bom lembrar. Nada na base do facão e sim, na palavra e assinatura. O politicamente histérico age como uma criança birrenta que berra e chuta o ar e não é esse nosso caso, nossa meta e nosso método.

A choradeira não passa sem uma boa dose de vitimização. Se você deplora algum covarde que acha lícito a tortura como método de investigação é porque “tu tem preconceito contra a classe(sic) policial”. Não sei se ficou claro, mas quem diz isto se mostra um perfeito preconceituoso, como se fosse atribuição de um policial torturar, como se fosse atribuição de alguém. Só penetrando na mentalidade de alguém assim para entender como uma claque de semianalfabetos adentra no Congresso Nacional falando que “só os militares tem condições de governar o país”, ao ponto esdrúxulo de confundir a bandeira japonesa, em um painel comemorativo da imigração, com um símbolo do comunismo! Só assim se entende o polo oposto de professores e alunos, verdadeiras ovelhas que se veem no direito de invadir escolas em nome de suas causas políticas impedindo outros alunos e professores de manter suas atividades. Direito à liberdade de expressão não é nem nunca foi cercear a liberdade alheia, não sem a devida liberdade de reprimir idiotas como esses. Já que é para ter liberdade irrestrita, então a liberdade de conter este gado acéfalo também deve ser desencadeada.

São pessoas que admiram os EUA, mas querem uma sociedade similar através de um voo charter com uma intervenção militar. Ou aqueles que querem uma educação de “padrão cubano” para o Brasil, enquanto colocam os filhos em escolar privadas e caras. Mas berram e como berram... Não podem ver algo que lhes desagrade que emitem urros como se fossem argumentos. Se alguém admirar um corpo de mulher, em posição sexy não passa de um “machista misógino” ou algo pior, se alguém é contra uma imigração maciça e se preocupa com choques culturais advindos dessa pode ser tachado como “racista” ou, quando não, nazista mesmo. Se alguém se condói ou lamenta os ataques de grupos fundamentalistas islâmicos a outros muçulmanos como justificativa à ajuda aos refugiados é porque se posta “contra o Ocidente” e por aí vai... Se alguém critica Donald Trump é porque é de “esquerda americana”, um Democrata, mesmo que o ponto sensível que nos afeta como brasileiros (e mexicanos) é sua postura protecionista e retrógrada em termos de comércio externo. Da mesma forma, quando nos posicionamos contra Hillary Clinton é porque somos “a favor de uma política de endurecimento diplomático” e “não nos preocupamos com o resto do mundo”, muito embora a ação desta senhora como Secretária de Estado tenha desestabilizado o norte da África e mal sucedida no Oriente Médio. Se nos interessamos pela geopolítica russa e nos preocupamos com a estabilidade e desenvolvimento do país somos “imperialistas a favor da hegemonia do Urso Russo” ou “cheerleaders de Putin”, mas se tu apontar a expansão e ataques da Federação Russa serás acusado de ser um “atlantista”, submisso à Aliança do Atlântico (EUA e Europa Ocidental), contra a Europa Oriental, Ásia e países não centrais do capitalismo em geral. São tantas as rotulações que a análise de sua coerência conceitual esvanece entre os berros e fiascos de quem as utiliza.

Já houve tempo em que ecologistas eram pessoas razoavelmente afeitas ao método científico, mas hoje se encontram muitos desses histéricos. Recentemente ouvi quem chamasse uma famosa modelo de “hipócrita” porque a moça chorou ao ver o desmatamento da Amazônia em cima de um helicóptero. Por causa do helicóptero, por causa de seu padrão de vida, cuja ostentação é ofensivo àqueles que creem ser uma “injustiça social” sem perceber que seu padrão de vida, embora bem mais módico seja já uma clara evolução em relação a uma época na qual uma simples refeição matinal continha bem menos itens oriundos da indústria e agronegócio. Quando se insiste no argumento da injustiça social se percebe que o foco do problema nunca foi o impacto ambiental em si e sim o fato de que alguns possam consumir mais ou de modo mais caro que outros. O que não se percebe aí é que a “justiça social” enquanto certa homogeneidade de consumo não deixa de ser uma expansão absoluta do consumo, dos recursos energéticos e do impacto ambiental, mas que também traz consigo a possibilidade de escassez de seus insumos e aumento de produtividade, inclusive com substitutos mais limpos ou produtos reciclados.

E quanto à diferença entre sexos? Já houve tempo em que “feminista” era a mulher contrária à maus tratos ou discriminações ao sexo feminino, mas se por acaso você enaltecer o papel da mãe na família ou se encantar com o jeito feminino precoce de sua filha poderá ser acusado, por uma histérica que estás introjetando um papel social subalterno à cria. Nessas horas eu tenho vontade de perguntar à feminista se ela teve uma péssima noite de sexo e sugerir um manual de “como atingir o orgasmo feminino em 10 passos”.

E se tu tem afeto por animais, se tem um cão ainda não te acusaram de hipocrisia por que tu não sente o mesmo pelo novilho que acabou de enfiar o espeto em cima do carvão em brasa? Adianta falar a necessidade de ingestão de proteína animal não autoriza ninguém a maltratar o gado e que defendemos a morte rápida e menos dolorosa possível?

Se for verdade que dizem que o Politicamente Correto cansa, que persegue e cerceia a liberdade de expressão, não é menos verdade que o modo de se mostrar contrário a isto tudo diz muito sobre o tipo de expressão que se quer libertar. Claro que o espaço é garantido a todos, mas convenhamos, quem não tem conteúdo algum, basta berrar e fazer mimimi, mesmo aqueles ou aquelas que raciocinam em círculos como se estivessem trocando parafusos de um pneu ou repetindo a mesma coisa como os movimentos de quem esfrega roupa suja no tanque. Já disseram que a internet deu voz aos idiotas, mas acho que é o mesmo que acontece quando o torcedor vai no estádio e se transforma em um mico pulando na arquibanca e guinchando ou um frustrado que vira um paladino do asfalto se achando detentor do monopólio da razão ao cortar outros motoristas nas ruas. O Politicamente Histérico é o resultado da despersonalização em redes sociais.

E claro, não nos esqueçamos dos que atualmente batem o recorde, aqueles que chamam quem discorda dos mesmos de “fascistas” se comportando, obviamente, como fascistas. Quando surgiram, os fascistas usavam camisetas pretas e hoje, notadamente vermelhas. Enquanto que muitos políticos são camaleões mudando de cor como mudam de partido, seus militantes podem mudar a cor da camisa, mas a conduta continua a mesma de sempre: fascista.