Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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sábado, fevereiro 11, 2017

Brasil: total de homicídios comparados


O total dos homicídios de todos os países em AZUL se aproxima do total de homicídios no Brasil, em VERMELHO.
Ah! Sim... Bom dia.

Fonte: MapPorn

quarta-feira, fevereiro 08, 2017


Em nome do Pai, do Filho e do ES armem a população.


sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Kamaradas!

Vou falar sobre uma parte da Esquerda brasileira:
No início dos 80, quando eu me voltei para a política, no plano meramente teórico eu via gente dizendo coisas como:
1. A Direita domina porque não tem preconceito, eles leem Marx (um dos melhores conhecedores de Marx é Delfim Netto[1]);
2. Havia muita briga interna, muita mesmo. Mais do que entre conservadores e libertários, do que entre ancaps e minarquistas, do que "bolsominions" e liberais que se vê hoje em dia... Era entre trotskystas e stalinistas (Convergência Socialista vs. PCdoB), leninistas pós-Kruchev (PCB) vs. stalinistas (PCdoB), comunistas (Marx) vs. anarquistas (Proudhon, Bakunin etc.) e todos esses ficaram de cara quando gente como Gabeira voltou falando de negros, mulheres e meio ambiente - "ah! mas você quer lutar pelas minorias?!" - refletindo as transformações da esquerda europeia (e americana), a New Left, que é o que domina hoje em dia aqui;
3. Pois bem kamaradas! A esquerda chegou ao poder e ela não teria conseguido sem os sindicatos e o que fez? Aplicou a teoria? NANANINANÃO... Ela SE ADAPTOU!
Agora sabem o que eu vejo? A mesma coisa do outro lado do espectro político, na chamada "direita" (mesmo que liberais não gostem do rótulo é assim que eles nos enxergam). E sabe o que vai acontecer quando tomarmos gradativamente o poder? Teremos que nos ADAPTAR.
AGORA, nós queremos brincar de política, de revolucionário ou queremos crescer e ser "gente grande"?
Se formos crianças vamos repetir o filme da esquerda só que defendendo a propriedade privada, talvez a única diferença; se formos adultos deveremos estudar Teorias do Estado (ao invés de fazer biquinho e dizer "estado bobo, feio, mal, não gosto do estado, buáááá") para transformá-lo paulatinamente. Isto leva décadas e deve começar pelas prefeituras, pois estas estão ao nosso alcance.
Ao invés de tentar mudar a sociedade pense em políticas voltadas ao seu bairro, ao invés de pensar no meio ambiente amazônico proponha um plano de saneamento para a cidade, ao invés de só falar no tesouro nacional te informe sobre as contas públicas do município. Daí, juntando os cacos aqui e ali teremos informação e experiência para pensar Brasília e outras instâncias.
Se não for isto, tu podes sair cantando Titãs "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte..." para que em 2018 venha um novo Salvador da Pátria. Daí kamaradas nós teremos muito choro, muita emoção, a bandeira nacional tremulando contra o azul profundo do céu, abraços, lágrimas, emoção... Mas toda a velha guarda estará ali, com seu melhor olhar triste treinado de político profissional pronta, prontinha para o quê? Para se ADAPTAR. E nisto reconheçamos, eles são muito bons. Fazem há décadas e continuarão fazendo se não mudarmos isto de baixo pra cima, de fora pra dentro, como qualquer sociedade que evoluiu fez.






[1] À época visto como um legítimo pensador de ‘direita’, mas não liberal, pois liberalismo mesmo era coisa entendida como ‘fracassada’. Ser de ‘direita’ era, simplesmente, ser anti-socialista e isto compreendia tudo, desde o pró-americano ao defensor de ditaduras militares etc.

terça-feira, janeiro 31, 2017

Lemingues Políticos


Se venda casada for crime, a "venda casada em política" é uma burrice só. O que mais vejo em redes sociais, especialmente no facebook é gente se posicionando visceralmente contra Donald J. Trump ou favoravelmente a este, como se todas suas pautas estivessem umbilicalmente ligadas, como se suas posições fossem um todo harmônico, uma política orgânica. Ora! Isto não existe. O que existe e é plenamente factível e, parcialmente, defensável são tópicos que, para leitores cautelosos podem ser desmembrados, modificados, aprimorados etc. 

Alguns diriam que isto deturpa a política, mas cá entre nós, isto deriva de uma visão purista da política, que bem sabemos ser falsa. Política contém planos, estratégias, acomodações, ponderações, envio falso de sinais, dissimulação etc. Já a fé, a militância apaixonada pouco tem disto, sequer compreende isto. O que não quer dizer que não tenhamos que nos empenhar naquilo que acreditamos como melhor alternativa só porque ela não tem uma essência perene e superior. 

Eu, particularmente, vejo a proposta de avaliação da imigração e maior controle como sensata, mesmo que, infelizmente, se cometa injustiças ao barrar gente honesta a entrar nos EUA. Efeitos colaterais podem ser indesejáveis, mas toleráveis se correspondem a causas maiores. E a segurança das pessoas é uma delas, a maior. Por outro lado tenho uma visão antagônica ao que o protecionismo produz, mesmo que tenha, porventura, efeitos positivos no curtíssimo prazo. Isto não paga o que virá depois.

Quanto à propaganda geopolítica de Trump (já que ainda não entrou claramente em operação) é alvissareira, embora não se trate de nenhuma panaceia. Ter que abraçar às oligarquias que Putin representa na Federação Russa não é nenhum avanço para a causa da Liberdade, no entanto pode ser um remédio amargo contra o caos e a violência reinantes no Oriente Médio que foram, parcialmente, produzidos pelas próprias atuação e pressão externas.

Por outro lado, um acirramento da disputa comercial com a Alemanha e a China pode levar a uma crise maior ainda que favoreça, justamente, economias estatais como a da Rússia e dê uma guinada institucional no próprio EUA. Seus efeitos podem ser imprevisíveis. 

Há pontos interessantes e outros que causam temor, mas não somos experts em vários assuntos para opinar de modo terminante sobre quaisquer um desses assuntos. Quanto mais colocá-los em um bloco coeso que defina o caráter de um governo. Não é porque o sujeito é antipático ou grotesco até que isto irá guiar minha opinião por uma oposição essencial. Se a modinha é tola, uma anti-modinha só por sê-la não é senão um reflexo preguiçoso de quem se incomoda com a especulação e curiosidade. 

Na boa, a impressão que dá é de um bando de desocupados discutindo uma partida de futebol após seu término, como se todos soubessem tudo de antemão. Um conselho, deixem de compartilhar tanto e "curtir" para ler um pouco mais. 

Anselmo Heidrich


quinta-feira, janeiro 26, 2017

A Estratégia de Contenção Americana está Viva e Forte




Then again, campaign rhetoric doesn't always match action taken once in power, especially when it comes to policies rooted in geopolitical realities.

Uma coisa é palanque, outra é ação.                       

Este texto da Stratfor, sobre a estratégia de contenção americana mostra como esta política externa com relação à Rússia foi pouco alterada desde o Pós-Guerra, mas apenas se manteve em stand by quando a Rússia enfraqueceu com o fim da URSS, mas que tão logo ela se refez, os EUA avançaram pelo leste da Europa com novas alianças da Otan.                        

E, ao contrário do que a mídia conservadora repetiu incessantemente sobre Obama, seu governo não foi 'covarde', 'omisso' ou algo do tipo. A Rússia cresceu enquanto os EUA se concentravam (e gastavam) no Iraque e no Afeganistão. Obama tinha que fazer frente a um poder russo ascendente e como fazer isto senão procurar alguma parceria com Moscou (desativação de arsenal atômico) e reduzir a presença americana no Oriente Médio (Iraque e Afeganistão)?                       

Mas ali não tem 'mocinho', são só traíras... Os EUA foram longe demais (em minha opinião) ao apoiar protestos anti-Kremlin no quintal russo: a Ucrânia. Foram responsáveis indiretos pela deposição do presidente ucraniano pró-Rússia Viktor Yanukovich. Aos olhos de Washington, a Rússia cresceu demais e a partir dali, a oposição de Moscou foi sistemática. Resultado da história, EUA tendo que se concentrar demais nesta disputa e perdendo espaço, gastando mais e diminuindo sua influência. Por que Trump? Porque, aparentemente, implica em uma mudança estratégica nisto tudo. E nisto, eu torço pelo seu sucesso, mas nada é tão simples assim...                       

Embora Trump ataque a Otan há aliados importantes na Europa e a divisão pela qual passa o continente, da qual o Brexit - saída do Reino Unido da União Europeia - é só um sintoma vai requerer uma estratégia de defesa, principalmente para os países fronteiriços mais a leste. Não é só a Rússia, há toda uma crise humanitária decorrente da Guerra da Síria e a política sobre o Oriente Médio é parte disto. Como coadunar esta defesa regional (europeia), a influência americana no O.Médio e uma aproximação com a Rússia é que mostrará se Trump veio ao que diz. Torço para que sim, mas isto não significa tietagem ideológica, como se vê por aí e sim ceticismo com reconhecimento das chances que podem surgir.


terça-feira, janeiro 24, 2017

Entrevista de emprego com deus



Bush, Obama and Trump: 

George Bush, Barack Obama and Donald Trump are going for a job interview with God.

God asks Bush: “What do you believe in?”

Bush replies: “I believe in a free economy, a strong America, the American nation and so on ...”

God is impressed by Bush and tells him: “Great, come sit on the chair on my right.”

God goes to Obama and asks: “What do you believe in?”

Obama replies: “I believe in democracy, helping the poor, world peace, etc. ...”

God is really impressed by Obama and tells him: “Well done, come sit on the chair on my left.”

Finally, God asks Trump: “What do you believe in”?

Trump replies: “I believe you're sitting on my chair.”


sexta-feira, janeiro 20, 2017

A Cor do Mundo


O MUNDO É MULTICOLOR, multiculturalista para usar um palavrão da moda (na maioria das vezes confundido com sociedade multicultural) sempre foi um agregado e não uma união. Por mais que se odeie o credo muçulmano, como tendo uma essência intrinsecamente violenta (e se esquece com facilidade do Velho Testamento da Bíblia), antes de ajoelhar em direção à Meca, um pashtun cresceu nas suas tradições locais. O talebã, inclusive deu uma “bola fora” ao tentar proibir um “jogo bárbaro”, o polo jogado, algumas vezes, com o crânio do inimigo. As tribos se levantaram e disseram isso não! Mas estas mesmas tribos derrubaram o governo comunista que, dentre outras coisas cometeu o sacrilégio de alfabetizar todas as mulheres do país lá pelos anos 80. É estranho quando se fala que o mundo tem uma cor predominante, que tem uma ideologia vencedora, que tem um devir, seja ele azul ou vermelho, como tolos acreditaram no passado. E agora, todos se rendem ao laranja, menos os eternos dependentes do estado-mamãe-providência, a esquerda em geral. Mas ei! Espere aí, o Rei-de-Topete-Laranja que prometeu financiar obras para restabelecer o crescimento da economia? E isto não é o que, senão o que os Democratas sempre fizeram nos EUA? Só há uma razão para que se doure tanto a pílula trumponiana: por mera oposição aos Democratas, sem sequer ver o que representa um misto de gasto público e protecionismo econômico. Claro que nesta briga de facões ideológicos, o que menos se vê é foco no problema ou situação e basta digitar Donald Trump no buscador que virão escândalos sexuais e discursos contra a imigração ilegal, esta que já era devidamente tratada com rigor pelo seu antecessor (veja porque aqui).
Talvez o governo de Trump seja mesmo uma guinada histórica na ordem política
internacional, mas quem acha que isto tem a ver com anti-globalismo está torcendo por um herói, ao melhor estilo do caudilho latino-americano criado para dar esperança contra outro espantalho político, um verdadeiro hoax ideológico criado para vender livros e vídeo-aulas, uma falácia intitulada globalismo. O mundo não é laranja, no máximo ostenta cores diversas, como na fantasia de um palhaço.




Preconceito rasteiro contra eleitores de Donald Trump



Este texto peca pelo seu extremo simplismo. Em primeiro lugar, não simpatizo com Donald Trump e rejeito, veementemente, seu discurso protecionista que, ao contrário da cortina de fumaça de escândalos sexuais e a questão da imigração, toca em pontos sensíveis à ordem mundial da globalização. Mas acusar seu eleitor de limitação intelectual ou, eufemisticamente, baixo nível de instrução é puro preconceito. Eu gostaria muito de ver a pesquisa, os dados nos quais se baseou a autora, se é que existem e se é que ela visualizou algo realmente... E podem ter certeza que se existissem, teríamos uma surpresa ao ver que muito dos votos ao candidato derrotado podem não ter sido de parcelas "melhor educadas" da sociedade americana. 



A educação é importante, ninguém é louco para negar, mas tecer análises simplistas, unidirecionais, com causa e efeito firmemente detectadas (baixo nível de instrução = voto conservador e/ou posturas pró-repressão) descartam a possibilidade de que o avanço de uma reação à imigração e ao comércio externo tem muito mais a ver com o descontrole das políticas de integração cultural em países que são o principal destino de imigrações e o aumento da criminalidade, bem como o desemprego. Veja que não estou limitando meu comentário aos EUA e o fenômeno Trump, pois se observarmos a Europa como um todo, isto já está acontecendo. 



Portanto, seria melhor que a educação fosse vista sim com sua importância fundamental, mas sem egocentrismo. A educação, assim como outras partes do sistema social é peça de uma engrenagem. Se ela travar ou estagnar, assim como OUTRAS PARTES, põe em risco todo o sistema. 

Cf. Rota 2014 - Blog do José Tomaz: Claudia Costin: "Trump e os presídios, qual o pape...: Evan Vucci/Associated Press Donald Trump discursa em cerimônia em Washington Folha de São Paulo Tivemos uma semana bastante agitada, que...

quinta-feira, janeiro 12, 2017

Movimento de Salvação da Civilização Ocidental o CARALHO!


Ideologia de Gênero não tem raiz na contracultura americana que, aliás, se fortaleceu em função da Guerra do Vietnã, uma burrada americana. Dupla, pois os soviéticos não agiram diretamente e os americanos que se queimaram. Burrada feita, saíram de lá deixando seus aliados do sul serem massacrados. 

Donald Trump não é conservador. Conservador que se preze tem ética e preza pelos valores familiares. Digam-me o que no histórico deste bolinador tem a ver com isso. Para quem defende o liberalismo e é contra o estatismo, nada mais distante também, pois o sujeito é contra a abertura comercial e demoniza seu principal parceiro econômico, a China. Coisa que, aliás, sua rival Hillary dizia o oposto e para ganhar votos foi na onda pregando um protecionismo a la Kirchner também (inclusive para ganhar votos de B.Sanders). 

Le Pen não tem nada a ver com Civilização Ocidental entendendo esta como reformatada pelos princípios iluministas. Sua filiação às ideias nacionalistas e fascistas é explícita e não sou eu quem digo, mas os próprios partidários dela. De defesa da Civilização Ocidental contra o totalitarismo/fundamentalismo islâmico não tem nada, mas só a defesa de um autoritarismo ocidental. Se for isto que pregam, basta pegar modelos dos anos de chumbo na Am.Latina que há de sobra...

Há sim reação, mas ela não é barulhenta, não é histérica. Acompanhem a política feita na Suíça, na Austrália e verão como se reage. Só que isto não dá IBOPE, não dá treta, coisa que virou comum na internet. Infelizmente, nossa nova direita não cresceu, apenas se adaptou para brigar com a esquerda como se estivesse no programa do Ratinho ou da Márcia Peltier.

CF. BLOG DO ALUIZIO AMORIM: O MEGA MOVIMENTO DE SALVAÇÃO DA CIVILIZAÇÃO OCIDEN...: Os fatos indicam que nesta segunda década do século XXI o mundo ocidental dará uma extraordinária guinada política com um impacto geopolít...

terça-feira, janeiro 10, 2017

Para que serve o poder público?


Certa vez andava com meu filho na nossa rua, uma dessas ex-servidões em Florianópolis e ele me perguntou por que ela estava toda esburacada. E eu aleguei a ação da chuva, do tempo etc. Daí, na maior ingenuidade me disse, “por que não arrumamos então?” E eu respondi que não era nossa tarefa, que a prefeitura cuidava disso que já pagav... “Prefeitura? O que é prefeitura?”, ele me interrompeu. Essa, eu confesso, foi a pergunta mais difícil que tive que responder. Como explicar algo tão abstrato a uma criança de 3 anos (hoje já com 4) que existe algo que não é alguém ou alguns que são incumbidos de fazer algo por nós, porque nós financiamos e deixamos de fazer nós mesmos o que, se juntássemos esforços locais faríamos melhor e mais rápido? Enfim, passou e faz tempo que não andamos na nossa rua e preferimos trilhas onde fica mais fácil, muitíssimo mais fácil falar de princípios de geomorfologia do que deveres do agente público.
Dias atrás conversava com minha professora, educadora física, uma pessoa que já fez três cursos superiores e não para de estudar. Ela tem um estúdio de pilates aqui no bairro e quer abrir uma clínica de fisioterapia, mas a prefeitura cobra dela que faça adaptações no seu imóvel, pois o segundo andar só tem um lance de escadas e deve ter um elevador para cadeirantes. Mas só a base para ele custa algo em torno de R$ 100.000,00 e só tem três empresas autorizadas pela prefeitura a executar a obra. Adivinhe se não tem esquema aí... Mas espere, não são dois andares, então a situação se resolveria se no andar térreo ficasse a fisioterapia e em cima, o pilates. Simples, qualquer ser racional deduziria isto e, claro que ela mesmo sugeriu isto. Como eu disse, qualquer ser racional, o que não é o caso de um fiscal da prefeitura que age sob outra óptica, outra racionalidade totalmente irracional para um ser humano que busca adequar meios a um fim específico com objetividade e sem deturpações. Ou sem dar chance para a corrupção.
É de um contrassenso absurdo, isto sem falar nas taxas anuais para operação que ela tem que manter já que não tem o habite-se porque não há esgotamento sanitário, assim como não há no bairro, assim como não há para 90% da cidade etc. E claro que haveria recursos se não houvesse tantas pessoas empregadas nesses “cabides públicos” sem fazer absolutamente nada, basta ver o que já foi transferido para a companhia de saneamento, a Casan.
Esta é a sina de ser um brasileiro, cujo poder estatal te obriga à ilegalidade. Faz alguns meses também, a Comcap, companhia que cuida da coleta de lixo e manutenção das vias públicas ficou, nada mais nada menos que 14 dias sem recolher nosso lixo na rua. Reclamação vai, reclamação vem por via telefônica, ouvidoria no site etc., nada resolveu. Mas nesses tempos de exposição on line (abençoado seja Zuckerberg!) procurei o facebook dos caras e em meia hora, o próprio diretor da empresa estava ligando para mim. É fácil deduzir onde e como passa a maior parte do tempo os funcionários da companhia... Inventaram uma mentira grosseira para mim, de que a rua estava muito esburacada, o que não procede. Não que não tenha buracos, pois como já disse, tem mesmo, mas não mais do que a maioria das outras ruas do bairro (a minha é uma das melhores). Daí perguntei se o motorista era novo e era mesmo só que o picareta culpou a via por ter corrido muito e arremessado um de seus colegas da caçamba. Como ficaram com medo de que eu expusesse toda a história vieram no dia seguinte, mas para justificar seu erro vieram podando galhos de árvores (que não tinha sido alegado como motivo do caminhão ter que desviar). Reclamei novamente em seguida porque mesmo assim, nada de coleta de novo! Vieram no mesmo dia às 22h!! Pergunto-me, para que serve o poder público brasileiro?!?!
Não fiquem achando que me refiro, exclusivamente, à Florianópolis. Se isto ocorre é porque resido na cidade há 11 anos. Em meus tempos de S. Paulo também passei por algumas... Naqueles verões na capital chovia aos cântaros e, numa dessas tormentas, os galhos das árvores da rua pressionaram os fios da rede de luz para baixo e batata! Queda de luz generalizada com direito à queima de aparelhos eletrônicos. Que que eu fiz? Liguei para a prefeitura para que providenciasse uma poda imediata, afinal estávamos só no começo da temporada de chuvas e recebi um número do protocolo do atendimento, cujo serviço deveria ser feito em um máximo de 45 dias! Sério?! Ah! Que bom né? Poderia ser um ano... Sempre temos que olhar para o lado positivo da coisa. Inconformado, liguei para a empresa que fazia a distribuição de luz, recém privatizada, AES-Eletropaulo e acredite ou não, em ½ hora os caras estavam cortando os galhos que tocavam nos fios. Não dá para entender quem reclama da privatização. Ou é mal informado ou tem interesses escusos a defender. Como sou obsessivo, próximo ao prazo limite de um mês e meio que me prometeram na prefeitura de S. Paulo, eu liguei novamente para saber se viriam e pasmem! Eles haviam perdido meu protocolo e tive que fazer outro para mais 45 dias! Ou seja, um total de 3 longos meses se passariam para o caminhão da prefeitura com seus incompetentes vir fazer algo, é mole? O verão com suas chuvas torrenciais teria acabado e os parasitas nem aí para quem os sustenta. É simplesmente ofensivo.
Quando os funcionários da AES estavam trabalhando com a poda dos galhos fui investigar e me disseram que quando os americanos compraram a companhia demitiram de cara, metade dos funcionários e viram que funcionava igualmente. Depois demitiram mais metade e continuou funcionando igual e fizeram mais uma vez... Para funcionar igualzinho! Em resumo, com 1/8 do staff da companhia mantinham a mesma produção, eles aumentaram muito a produtividade da empresa. Antes de pensar no lucro que tiveram, pense no prejuízo que nós tínhamos como pagadores de impostos por um serviço público de péssima qualidade. É este o raciocínio que devemos ter, mas como o cidadão brasileiro está tão acostumado (adestrado seria melhor) a achar que o serviço público é isso mesmo, só percebe o que os outros, empreendedores estão lucrando como se isto significasse um prejuízo para si. Uma visão completamente distorcida da realidade.
Florianópolis, São Paulo são as cidades que me lembro melhor, Porto Alegre já saí faz tempo, mas me recordo de meu pai dizendo que algum coitado apaixonado por árvores plantou várias em seu quintal, numa velha casa na Rua Marquês do Pombal, no bairro Moinhos de Vento. Daí, com o tempo é normal querer cuidá-las, fazendo a devida manutenção, mas não! Alguma repartição pública com uma pomposa sigla se dizendo ‘ambiental’, cujos funcionários iletrados passam o dia coçando resolveu sair do buraco mofado onde se escondem para proibi-lo. Típico, não? Pois é... E o sujeito ficou lá, com árvores velhas, apodrecidas prontas pra cair com estes vendavais pondo em risco a vida das pessoas. Mas, o que importa aos burocratas, já que zelar pela vida alheia não tem nada a ver com a tarefa monástica de preencher processos.
Vocês podem estar pensando: este cara escolhe problemas a dedo, exceções que confirmam a regra de que o serviço público no Brasil funciona meritoriamente. E eu pergunto vocês acreditam nesta mentira que contam pros outros? Na verdade eu estou descrevendo o corriqueiro. Quando eu fizer um artigo “o serviço público brasileiro que dá certo” é que estarei tratando de exceções que confirmam a regra. Então se alguém nunca simpatizou com teorias anarquistas de organização social saibam que é um bom momento para tanto. Não são minhas primeiras opções, mas no Brasil de hoje se impõem como necessidade, não há como confiar nos serviços públicos brasileiros que via de regra são um lixo mesmo. Mas por que é assim? Em primeiro lugar devido ao corporativismo com este monte de leis protecionistas visando garantir os direitos dos trabalhadores, mas direitos esses que se opõem aos direitos de seus consumidores, clientes, usuários etc. A sociedade brasileira opta por garantir direitos a si, enquanto categorias profissionais e não como indivíduos tratados com isonomia. Esta é nossa característica, cuja cultura política solapa qualquer projeto de desenvolvimento.
Esses dias um amigo meu teve a moto roubada aqui perto de onde resido. Obviamente, na vã esperança de que nossos serviços de segurança fizessem algo digno de seu nome, se guiou para a delegacia de polícia fazer um B.O. Chegando lá teve que ouvir um sermão do escrivão praticamente dizendo que ele era o responsável porque “deu mole” ao não ter alarme, nem cadeado na moto. Acabaram discutindo e o escroto do funcionário jogou a caneta com força em cima da mesa ao que meu amigo revidou com mais força ainda após assinar. O clima azedou ainda mais e pasmem, o covarde com distintivo ainda fez uma pose ao se levantar para que a camisa subisse mostrando sua arma. Paspalho! E é desses paspalhos que estamos cheios por aqui. Digamos então que isto não corresponda à maioria, que seja, mas a quem podemos recorrer nesses casos? Que tipo de proteção temos? É tão inusitada uma cena dessas em países onde o estado de direito realmente existe que mesmo um servidor escroto desses jamais faria isto, se não estivesse mentalmente perturbado, que as chances de sofrermos este tipo de ameaça são mínimas. Aqui não, basta não baixar o olhar para algo crescer e sermos intimidados por gente que não se coloca no seu lugar e nesse caso não sabe o que é proteger e servir. A mentalidade não é de proteger e servir, mas de intimidar e se servir.
Bem... Eu acredito no liberalismo e, embora eu ache os sonhos anarco-capitalistas um tanto apressados, sem que tenhamos desenvolvido uma cultura política e instituições começo a rever meus conceitos. Não há como melhorar isto a que chamamos estado brasileiro. Esta podre estrutura estatal precisa ser extinta.

Deixo vocês com um belo engraçado vídeo desses que sonhamos que um dia seja nossa realidade: